A impossibilidade de alcance do todo

Picture of hands held high in worship of our creator God at sunset.

O todo é inalcançável. Não é possível abraçar algo maior que o tamanho de nossos braços abertos. Simplesmente não dá. Aquilo que se quer conhecer em toda a sua plenitude está ali, ou seja, não se diz aqui que o todo não existe, nem mesmo que deveria se adotar uma postura relativista do tipo “o todo é aquilo que cada um enxergar que o seja ou pretender que seja”. Longe disso. O que se expõe é que diante da grandeza do todo, sequer é possível contemplar toda a sua magnitude. É algo que foge à nossa compreensão, quiçá situado num campo fora da razão, de modo que existiria também uma limitação que acabaria nos impedindo de, quando quer que seja, conhecer o todo de modo completo.

Sei que os mais otimistas poderão tecer críticas no sentido de quão limitada seria a visão aqui exposta, e muitos poderiam ser os fatores que determinariam essa limitação – o tempo em que vivemos, por exemplo, carente de futuras tecnologias, estudos e descobertas que o futuro nos reserva. Em alguns pontos, pode até ser, pois, de fato, muito daquilo que hoje se tem como incerto ou desconhecido certamente será resolvido numa época que ainda virá. Mas com relação ao todo, não consigo me convencer. Repito: o todo é inalcançável – pela razão, pela empiria ou por qualquer outro método que se aventure. A não ser que se apele para a metafísica. Ainda assim, creio que a dúvida permanecerá.

Sempre haverá aquela angústia gerada pelo não saber. A vontade do saber é algo inato no ser humano. Vontade de poder, ou vontade de potência, diria Nietzsche, a qual vejo aqui que abarca a questão do querer saber. Temos essa necessidade de querer saber as coisas. A impotência, entretanto, é constatada quando se dá por conta de que o preenchimento desse vazio angustiante jamais será preenchido. Sei que alguns preenchem através de determinados artifícios. Se faz bem para esses, tudo bem. Para mim não é suficiente, pois vejo como uma resposta muito insuficiente. É o aparente que é vendido como real fosse. Enfim, mesmo não aceitando algumas tentativas de respostas dadas, sei que nenhuma outra, por mais genial que seja, será suficiente. É necessário que reconheçamos isso, essa impossibilidade, penso eu, mas que ao mesmo tempo não vivamos atormentados pela ausência de respostas. Uma máscara se faz necessária para que continuemos tocando a vida. Talvez até mesmo aceitando algumas daquelas respostas que refuto, a fim de que pelo aparente seja possível suportar a ilogicidade de tudo. Algumas contradições mínimas são necessárias para que uma ideia possa funcionar ou ser aceita. Já que estamos fadados a viver, que adotemos uma postura que seja agradável – para os outros e para nós mesmos. Seja como for, a vida é bela, por mais que jamais entendamos o seu sentido ou razão de ser.

 

 

   Revisado por Juliana Skalski

 

SOBRE O AUTOR

"Paulo Silas Filho é advogado paranaense. Possui especialização em Ciência Penais, em Direito Processual Penal e em Filosofia. Ama a leitura. A busca constante pelo saber gera em si o conhecido paradoxo de que "quanto mais se estuda, mais se percebe que muito pouco se sabe", o que apenas o motiva a ir além, e o caminho trilhado para tanto é o da apaixonante literatura!"