Vamos falar sobre Westworld?

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A série da HBO criada por Jonathan Nolan e Lisa Joy começou prometendo muito e, no começo, parecia ser justamente o contrário do que muitos previam. Alguns disseram que, por receber o título de nova “Game of Thrones”, se esperava muitos mais. Porém, ao seu ritmo, Westworld nos entrega um roteiro cheio de mistérios que, ao fim de temporada, são revelados e ainda conta com um belo gancho para a sua sequência.

Para quem ainda não sabe, Westworld é uma série inspirada no filme homônimo de 1973. Do filme, aproveita-se a ideia de um parque temático (lê-se o Velho Oeste americano) cheio de robôs anfitriões, prontos para atenderem as necessidades dos visitantes do mundo real. É uma espécie de parque da Disney funcionando como um simulador de uma realidade, pois proporciona aos visitantes que se tenha uma experiência profunda daquele mundo. A premissa por si só é bem interessante, mas a série é muito mais do que isso.

Westworld traz o tradicional conflito homem vs máquina e que te proporciona ora torcer para os humanos, ora para os robôs no decorrer da série. Há também uma conspiração dentro da empresa responsável pelo parque, pois alguns indivíduos querem se apropriar da tecnologia presente somente ali no parque. E não seria uma série de ficção científica com robôs se não tivesse presente menção às três leis da robótica de Isaac Asimov…

A série utiliza de elementos como: conflitos humanos, inteligência artificial, linhas temporais distintas, as já mencionadas leis de Asimov, a síndrome de Deus dos humanos, o teste de Turing e vários outros elementos aplicados às personagens (humanos ou robôs) de maneira profunda. Não é à toa que destacam-se as atuações de Anthony Hopkins, Ed Harris, Evan Rachel Wood e Thandie Newton, só para ficarmos em alguns exemplos. E o elenco de peso com sua atuação também de alto nível se combina com a trilha de Ramin Djawadi (compôs a trilha de Game of Thrones) e nomes de peso na produção como J. J. Abrams.

Westworld é uma série que consegue equilibrar diálogos filosóficos, com a ação e violência do Velho Oeste americano e uma profundidade de um elenco diverso, sem exagerar com revelações bombásticas (lê-se plot twists) a todo momento e sem tratar a nudez como algo sexualizado (as personagens aparecem nuas, tanto masculinas como femininas, de forma natural, como parte do processo de avaliação dos robôs).

SOBRE O AUTOR

Rafael C. Oliveira é goiano e já foi astro do rock (no Guitar Hero), líder de uma grande civilização (no Age of Empires) e bem casado (no The Sims). Hoje, além de colaborador do literatortura, faz (pseudo)roteiros para as tiras do site pragmaticos.com.br. Ele diz que está escrevendo um livro de ficção científica, achando que vai conseguir novos amigos assim.