O que é o autor para o séc. XXI? Part. II

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Autoria em blogs: Literatortura

E para não dizerem que invento coisas isso sobre o nicho e a criação do Litera vou anexar agora uma entrevista que fiz com ele, Gustavo Magnani:

“Como surgiu a ideia do Literatortura?

A ideia do Literatortura surgiu porque eu queria fazer algo de literatura na internet. E, naquela época, 2011, onde a internet era completamente diferente, existia um espaço enorme para novos blogs, porque não tinha muita coisa legal pronta. Além disso, eu tinha consciência de que, para ser escritor, precisava construir um público antes. Ajudaria muito. Mas, o projeto cresceu tanto e ganhou autonomia que eu fiquei pra depois (risos) e ele continuou por ‘conta própria’.

 

Você acha que a criação do blog foi uma resposta a alguma demanda por literatura?

Em 2011, a internet era uma coisa completamente diferente da de hoje e, naquele momento, existia um nicho vago, ao qual o Literatortura preencheu e, depois, foi acompanhado por vários outros excelentes veículos. Acho que o site tem um papel muito importante em ajudar os leitores a conhecer mais sobre literatura, num geral.”

(Você, leitor, é muito desconfiado…)

O Gustavo é o editor chefe do Litera, acredito que ele seja uma das pessoas que possui mais textos aqui no site e esses textos são extremamente variados (no sentido de gênero textual) entre notícias, matérias, análises literárias, artigos de opinião em forma de texto ou vídeo ou podcast. Claro que trabalhar com variados gêneros textuais e várias linguagens permitiu que o Gustavo expandisse o blog, como também ajudou na sua formação como indivíduo politizado e escritor.

O blog, como já foi dito, é uma ferramenta abrangente, muito utilizada na atualidade. Mas existe outra plataforma, muito próxima ao blog, que são os vlogs, onde o Gustavo também chegou a trabalhar. “Mas o que são vlogs?” Os vlogs são vídeo blogs que trabalham com a informalidade dos blogs, mas com uma linguagem mais solta, eles contêm as marcas da oralidade que o blog não possui por ser textual, ou se possui ainda assim é diferente.

Quem de nós nunca viu um vlogueiro? Não no sentido de encontrar pessoalmente, mas no de ver pelo youtube ou qualquer outra plataforma que possa abrigar vídeos. Em algum momento da vida já procuramos algum tutorial de maquiagem, games, solucinando problemas de celular e computador, como fazer tal receita, dentre outros e são nesses momentos que encontramos os vlogueiros, pessoas que cumprem o mesmo objetivo de blogueiros só que atraves de vídeos. “Então são basicamente a mesma coisa?” Sim e não. Apesar de ambos usarem plataformas mais informais e comentarem sobre assuntos cotidianos (ou específicos no caso de tutoriais para maquiagem, receitas, games, etc). Os vlogueiros se distanciam dos blogueiros por meio da linguagem. A forma falada é bem difente da escrita, lá se pode fazer comentários, divagar, aproveitar acontecimentos externos e utilizar o erro para tornar o vídeo mais engraçado. No blog podemos utilizar alguns desses elementos, mas o efeito será completamente diferente: geralmente as pessoas não gostam que o ensaio ou artigo contenha divagações ou cometários aleatórios, fora o fato de que não se pode utilizar erros no texto, porque isso dificulta a comunicação.

“É só nisso que se diferenciam”? Não, vlogueiros acima de tudo compartilham suas opiniões sobre os acontecimentos e contam qual foi a reação deles. Os blogueiros podem fazer a mesma coisa, o problema é que isso tornaria o blog um diário intímo – se o blogueiro for alguém desconhecido, as pessoas não vão ligar, mas se for um famoso, vão seguir e ler tudo o que for possível.

Vlogueiros também podem dar sua opinião e comentar fatos vividos de forma mais simples. Ler um texto longo sobre o que se deve fazer no supermarcado é mais cansativo que ver um vídeo de 5 min, com vinheta e musiquinhas de fundo, que aborde o mesmo tema. Veja que o assunto não mudou, o que mudou foi a apresentação: um no formato de texto e outro no de fala.

O Vlog e o blog são dois formatos que transmitem opiniões e críticas, e nós utilizamos a internet como veículo para passar esse conhecimento; Ambos possuem grandes formas de representação, variando somente em temática. Acompanhando as mudanças tecnológicas, eles surgem e se consagram todos os dias, tanto os blogs quanto os vlogs (youtubers) são acessados, vistos e compartilhados. Eles influenciam a opinião pública, acresentam debates e formam um público mais crítico em todos os sentidos. Tornaram-se as novas profissões do momento e também são uma nova forma de ganhar dinheiro, criando novas formas de propaganda e dissemindo informação e cultura.

Ao utilizar as plataformas blog e vlog é/foi possível obter uma facilidade de acesso (a internet permite acesso rápido e fácil, lembre-se de seu Facebook). Aliado a isso, o Gustavo percebeu que havia um “mercado” na internet e fez aquilo que o mercado “pediu”, logo o blog Literatortura e o vlog Literatortura cresceram e se desenvolveram. Claro que a temática e o conteúdo junto com um pouco de sorte permitiram o crescimento do portal tornando-o um dos maiores portais de literatura da América Latina e fazendo com que o nome de Gustavo Magnani ganhasse destaque ao ponto de se tornar um escritor, que era seu sonho.

Obs: Em minha opinião o surgimento de blogueiros e vlogueiros mudou o mundo, agora nos resta esperar e ver até aonde essa mudança vai…

Obs 2: Ainda é muito cedo para afirmar o impacto dos blogueiros e vlogueiros na atualidade, mas já é possível lançar esse questinamento, estamos vivendo um período de grandes mudanças, começar a questioná-la já é um ínicio…

Links: http://literatortura.com/2015/12/assista-ao-trailer-de-animais-fantasticos-e-onde-habitam-prequel-de-harry-potter/

http://literatortura.com/2015/11/jessica-jones-e-relacionamentos-abusivos/

http://literatortura.com/2015/11/cosac-naify-anuncia-que-ira-fechar-as-portas/

Revisado por Lucas Teixeira Ferreira (um grande amigo meu e um dos melhores revisores que já vi – caso queriam o contato dele, falem comigo hahaha).

SOBRE O AUTOR

Gabriel Inácio Luz. Esta matriculado no curso de Estudos Literários na Unicamp, mas percebeu que misturou matérias de artes e jornalismo e por isso não sabe qual curso realmente faz. Tem um simples sonho viver e nessa vida acredita na humanidade e na força da arte.