O que é o autor para o séc. XXI? Part. I

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Contextualização histórica

Quem escrevia no papel é quem possuía o direito autoral da obra, Homero (que será meu exemplo, mas pode alterar o nome dele por qualquer outro escritor), viveu há mais de 2.500 anos e a ele foram atribuídas as obras A Ilíada e a Odisseia, grandes clássicos da literatura ocidental. Mas, não existe prova de que tenha sido ele criador dessas histórias, mas sim que foi ele que as escreveu. Então porque ele é considerado o autor? Ele é considerado o autor – pelo fato de ter passado a história do registro oral para o escrito – claro que existem muitos outros motivos que o fizeram autor da A Ilíada e a Odisseia, mas vamos nos ater ao ato de passar a história do oral para o escrito, blz? Por conta disso a autoria foi atribuída a ele. É claro que ele é só um exemplo, existem outros autores que escrevem obras e que são atribuídas ao verdadeiro autor como, por exemplo, Dante Alighieri que escreveu Vita Nuova e A Divina Comédia, a quem as obras são atribuídas.

Após o século XVIII algumas coisas mudaram: a obra de arte ou livro começaram a ser vistos como mercadorias, logo as pessoas podiam comprar e vender determinada obra, dando início a uma necessidade de se atribuir a obra a alguém, ou melhor, os autores começaram a se preocupar com a venda de suas histórias, para assim poderem vender suas obras. Ficou confuso? Deixe-me explicar melhor: as obras continuaram a receber o nome do autor, o que mudou foi a forma que as pessoas agora concebiam o que era autoria, pois antes não havia a necessidade de um autor da obra, mas a partir do séc. XVIII isso começou a ganhar relevância porque quem escrevia a história detinha os seus direitos logo poderia vender e isso em pleno século XVIII, devia render uma grana para comprar o pão da semana…

Logo podemos afirmar que o debate sobre o conceito de autoria ganhou destaque no séc. XVIII quando alguns autores reivindicaram para si a autoria de suas obras.

Já nos séculos seguintes, a função autor – como indivíduo, intelectualizado, detentor de conhecimento e importância no meio social que foi consolidada com o advento da importância do autor do séc. XVIII – apenas e ganhou força e a forma atual. Nos séculos XIX e XX a ideia de autor já estava consolidada, como é possível perceber pelos surgimentos das escolas artístico-literárias que surgiram, como por exemplo, o romantismo, realismo, naturalismo e modernismo, onde a presença do autor é extremamente forte e necessária – muitas vezes as obras só ganhavam destaque por causa do nome do autor do que efetivamente pela sua qualidade. Mas, a partir da década de 60 do último século, a noção de autor e sua função foram questionadas e reinterpretadas por Roland Barthes (A morte do autor – 1968) e Michel Foucault (O que é um autor? – 1969), onde ambos analisaramm a função do autor, além de contrapor todo o pensamento dominante do que vinha a ser autoria até então na academia.

Aproximando-se do final do séc. XX e início do séc. XXI é possível encontrar uma mudança no que vem ser autor, seu conceito e função – para os conceitos, pode-se encontrar uma variedade de teses, dissertações, monografia e artigos sobre o tema da autoria. Mas, o que de fato é um autor para o séc. XXI?

Neste início de século, houve o que chamamos web 2.0 (uma revolução técnico-científica), onde a internet começou a ganhar mais destaque e com ela o surgimento de novas formas de se conceber o autor. Pensando na relação autoria e web 2.0, a internet trouxe uma revolução para a linguagem, pois com as novas plataformas criadas surgiu também uma nova linguagem, o internetês (conhecido na academia como linguagem oralidade), também surgiram novas profissões e dentre elas se destacam os blogueiros e vlogueiros. Por causa da internet e dessas novas plataformas, a informação se tornou algo rápido e preciso. Muitos dos meios de comunicação (jornais e telejornais) se adaptaram para esse novo mundo, onde é possível acessar notícias instantaneamente através de um smartphone ou tablet. Para o bem ou para o mal, essas notícias são veiculadas e compartilhadas de forma muito rápida; um simples click no botão de compartilhar do Facebook permite que todos os seus amigos vejam suas postagens e, como resposta a esse novo mundo, essas novas profissões surgiram utilizando uma linguagem mais rápida.

Com essas novas plataformas e novas profissões o mundo da comunicação mudou completamente, surgiram uma infinidade de blogs e vlogs por todo o mundo! Pense no Literatortura, você entra geralmente, seja para dar uma olhada “básica” nos textos ou porque é fã e entra todos os dias no site para ler a novidades. Pensou? Então quais os gêneros que geralmente encontra? Dependendo do blog, vai ter mais notícias, outros mais literários, no sentido de produções de poemas, contos e etc. Logo, o gênero textual varia conforme o blog visto; no caso do Literatortura é possível encontrar notícias, crônicas, contos, ensaios, listas, artigos de opinião, análises literárias, resenhas (Indique um Livro), dentre outros. O blog acolhe, creio eu, vários gêneros textuais, se não todos.

O Gustavo Maginani, criador e idealizador do Literatortura, fundou o Literatortura em dezembro de 2011, quando a internet possuía outro nicho, outro espaço. Ele pensou em algo diferente e que tratasse de literatura e assim criou esse blog maravilhoso que vocês leem! Para mais informações, continue no segundo texto…

*Após toda essa contextualização que você leitor deve ter achado chata gostaria de lhe convidar para a segunda parte do texto onde vou analisar o Literatortura. Ela é mais legal…

Revisado por Lucas Teixeira Ferreira

SOBRE O AUTOR

Gabriel Inácio Luz. Esta matriculado no curso de Estudos Literários na Unicamp, mas percebeu que misturou matérias de artes e jornalismo e por isso não sabe qual curso realmente faz. Tem um simples sonho viver e nessa vida acredita na humanidade e na força da arte.