Mudanças (im)perceptíveis

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Como foi que você se transformou nisso? Você, essa coisa, não era assim. Já foi grande, digna, robusta, reluzente, notável, honrada e até mesma invejada. Não que tenha deixado de ser, mas as pequenas mudanças são notórias para quem conhece o seu íntimo, talvez até mesmo para aqueles que te olham de fora. Seu interior é dissecado por quem se encontram em seu íntimo. Na verdade, muitos que estão dentro de ti sequer te conhecem de verdade. Poucos conhecem suas nuances. Apenas alguns conhecem o processo e conseguiram notar o trajeto percorrido por ti desde os dias de glória. Não que tenhas entrado em derrocada. Mas que houve um tombo, houve. E ao que tudo indica esse tombo foi dos grandes. Não se admite abertamente, é claro, pois se corre o risco de perder aqueles que ainda se mantém fiéis à sua imagem – além daqueles que fazem e fizeram parte de ti, pois muitos já partiram. Vive ainda dos seus dias de glória, mas hoje é uma carcaça cansada, abatida, que se arrasta em resistência à falência. Um dos possíveis fatores responsáveis pela quase queda é a mudança da direção. O abandono do primevo foi algo gradual. Talvez não esperado, mas algo que hora ou outra iria acabar acontecendo. Por um tempo a coisa ainda se manteve firme, estável, sob controle. Mas após novos episódios lamentáveis, tortuosos e sofríveis, a coisa acabou desandando. Não é possível apontar para um único erro e tomar tal como o principal responsável pela coisa toda. Mas uma série de atos acabaram por fazer com que a estrutura desandasse. Você se mantém firme, e apenas por isso já merece o respeito que ainda possui. Mas há de se atentar para o fato de que algo precisa ser feito, sob pena de incorrer em ostracismo. Não que seja necessário viver sob os louros da fama. Longe disso. Somente o respeito e a consideração já bastam. O mínimo exigido é o real comprometimento para consigo mesmo, um pouco além daquele que vinha praticado até então. Talvez aí esteja uma das perspectivas e posturas a serem mudadas – sempre para melhor, é claro. As questões óbvias devem ser praticadas, mas a reflexão e o respeito para com todos aqueles que sempre se mantiveram firmes é fundamental para que a salvação se faça presente. Avance, persista, supere-se. Há de vencer!

SOBRE O AUTOR

"Paulo Silas Filho é advogado paranaense. Possui especialização em Ciência Penais, em Direito Processual Penal e em Filosofia. Ama a leitura. A busca constante pelo saber gera em si o conhecido paradoxo de que "quanto mais se estuda, mais se percebe que muito pouco se sabe", o que apenas o motiva a ir além, e o caminho trilhado para tanto é o da apaixonante literatura!"