Qual é o seu local de fala?

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Local ou lugar de fala – onde se situa o seu numa conversa?

Aprendi com um amigo, Claudio Melim, que devemos nos atentar para o nosso local de fala. Em nossos discursos, em nossos debates, em nosso aprendizado, enfim, em qualquer ato ou situação em que estabelecermos um contato pela linguagem, o processo de comunicação sempre se pauta num determinado local de fala, cujo chão dependerá da posição dos interlocutores.

Muitas vezes as discrepâncias na conversação se dão justamente diante da desatenção ao detalhe do local de fala. A mensagem transmitida pelo emissor, que está calcado num chão X, pode acabar sendo interpretada erroneamente pelo receptor, vez que este pautado num chão Y. A estrutura basilar que define o local de fala, portanto, merece atenção.

Os equívocos se dão principalmente em abordagens mais específicas, mais profundas, mais conceituais, mais acadêmicas. Mas não apenas nestas, vez que podem ocorrer em diálogos simples.

Sabem aquela história de duas pessoas estarem falando sobre uma mesma coisa, mas de maneira diversa, impossibilitando assim a compreensão de que já possuem um consenso sobre o ponto tratado, mas sem que se deem conta disso? Pois bem, a problemática do descuido para com o local de fala funciona de igual modo, mas de maneira inversa. O que pode acabar acontecendo é que aquele que profere o discurso diga determinada coisa, e para o ouvinte essa coisa é recebida como tal, porém, com uma interpretação diferente daquela intencionada por quem realizou a fala.

Na filosofia temos diversos paradigmas. Bases estruturantes de pensamentos e correntes filosóficas. São diversos chãos em que podemos nos situar. Daí o cuidado que aqui se alerta: saber e deixar transparecer o local de fala quando do diálogo.

A fala que menciona determinado termo ou até mesmo uma ideia acaba recebendo contornos próprios a depender da base filosófica em que se situe. Daí que alguém que diga algo com base numa visão platônica, por exemplo, pode não ser compreendido por outro alguém que ouça e se sedimente num viés hegeliano. Um aviso prévio poderia muitas vezes resolver esse tipo de problema, ou ao menos evitaria que o receptor achasse que entendeu o discurso, enquanto em realidade a compreensão seria diversa da pretendida.

Enfim, a coisa é complicada, mas também não é. Diz-se diante da profundidade que cada chão pode possuir, enquanto ao mesmo tempo a menção sobre o local de fala pode evitar equívocos. De qualquer modo, longe de querer alcançar e expor toda a temática que aqui se encontra meramente pincelada. Que sirva como simples sugestão. Atentemo-nos para o nosso local de fala. Qual é o seu?

   Revisado por Juliana Skalski

SOBRE O AUTOR

"Paulo Silas Filho é advogado paranaense. Possui especialização em Ciência Penais, em Direito Processual Penal e em Filosofia. Ama a leitura. A busca constante pelo saber gera em si o conhecido paradoxo de que "quanto mais se estuda, mais se percebe que muito pouco se sabe", o que apenas o motiva a ir além, e o caminho trilhado para tanto é o da apaixonante literatura!"