O diabo é o diabo porque ele é velho!

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“O diabo é o diabo porque ele é velho”. Mais uma que aprendi com alguém. Nossa vida é um constante aprendizado. Não há grau zero de coisa alguma (escreverei sobre isso mais além). Sempre há algo no qual nos situamos, que nos sustenta, que nos eleva, que nos impulsiona. Nossas opiniões são construídas com base em algo – mesmo aqueles nossos achismos, sem base concreta, estão sedimentados numa tradição. O contexto em que o indivíduo se situa corrobora para a formação do seu ser. Os aspectos são vários, indo desde fatores intrínsecos (a subjetividade, por exemplo) até questões externas (a cultura, por exemplo). Daí que reconhecer o chão em que pisamos é de suma importância. De qualquer modo, mesmo quando tal fator é ignorado ou não compreendido, podemos dizer que se sabe o que se aprende.

Mas retorno então ao “ditado” que me foi dito no início deste ano por alguém que tive o grande prazer de conhecer e me tornar mais próximo. O que a frase quer dizer? Qual o significado do “ditado”? Qual é a mensagem que se busca transmitir?

Para além das interpretações cabíveis, faço aqui a minha. O diabo dito na frase não pode ser visto tão somente como aquele diabo “do mal” (digo num viés dualista “bem X mal”), mas o diabo enquanto astuto, enquanto ciente do que o ronda, enquanto perspicaz, enquanto não ingênuo. Esse diabo esperto somente assim o é não por ser o próprio diabo (mais uma vez, personificando a principal imagem que se tem difundida deste), mas por ser velho. Eis o ponto chave da questão.

A astúcia adquirida pelo diabo não é algo dado, inerente do próprio ser, mas é algo conquistado com o tempo, aprendido. E quanto mais vive o diabo, mais aprende, de modo que, consequentemente, mais sagaz se torna.

Eis aí um dos benefícios da vida vivida. Não se quer dizer que enquanto jovem não se pode alcançar um nível significativo de uma boa base epistêmica, tão menos que enquanto mais velho a pessoa se torna um poço de sabedoria inalcançável por quem não possua no mínimo a mesma idade, pois vemos tanto jovens sábios como idosos tolos por aí, mas há de se levar em conta que o fator “experiência” entra sim em conta. A maturidade é algo que se conquista somente com o tempo.

Quantas coisas uma pessoa mais vivida não viu a mais que um jovem? Quantas situações, das mais variadas formas, já não enfrentou? Quantas experiências vividas? Quantos fenômenos experimentados? Quantas histórias ouviu? Quantas histórias de que foi protagonista? Eis mais uma vez o ponto exposto.

Creio que captei a mensagem da lição que me foi dada. Sou jovem. Tenho ainda muito que aprender. Aprendo sempre a cada dia. Espero aprender o mínimo suficiente até quando de minha velhice. Antes um velhinho compreendido, compreensível e que não seja ingênuo do que um rabugento bobalhão. Mas astuto como o diabo, só vivendo tanto quanto.

 

 

   Revisado por Juliana Skalski

SOBRE O AUTOR

"Paulo Silas Filho é advogado paranaense. Possui especialização em Ciência Penais, em Direito Processual Penal e em Filosofia. Ama a leitura. A busca constante pelo saber gera em si o conhecido paradoxo de que "quanto mais se estuda, mais se percebe que muito pouco se sabe", o que apenas o motiva a ir além, e o caminho trilhado para tanto é o da apaixonante literatura!"