Encontros, desencontros e conexões

maos2

Me pergunto por que as coisas acabam? Mas, também me pergunto como seria ruim se as coisas ficassem se repetindo incansavelmente. Sabemos que o amor muitas vezes chega ao fim, seja por um amigo ou por uma pessoa com que você se relacionava, mas ele acaba e não temos como evitar isso. O carinho então, nem se fala, se finaliza em um piscar de olhos ou demora um certo tempo para virar amargura. Você não queria, eu não queria, ninguém queria sentir desamor por alguém. A vida é que dá um tiro em um peito mole. Mas existem coisas que nada é capaz de destruir: as conexões ou as constantes.

Existe uma série, chamada Lost, que dividiu opiniões, alguns amaram e outros odiaram. Nela existe um episódio em que o personagem Desmond ficava preso em viagens no tempo e isso o estava matando. Em resumo: descobriu-se que quando a consciência viaja (seja para frente ou para trás através do tempo), ela tem que ter uma ou mais constantes para poder parar em algum momento. Essa constante pode ser uma coisa ou uma pessoa que sirva de ponto de referência na vida da pessoa que está “perdida” no tempo e caso ela não seja encontrada, o indivíduo, consequentemente, morre. Na série, a constante de Desmond é o amor de sua vida, Penny.

Apesar de toda uma explicação lírica baseada em uma história fictícia, o que quero dizer é que na vida, temos coisas, amores ou momentos que não podem ser desfeitos nem por nós mesmos. Seja chamada de conexões ou constantes, você sabe quando tem uma ligação com alguém, mesmo que esse alguém tenha conversado com você por dez minutos. Se algo mudou dentro de você depois dessa conversa, desses poucos minutos, provavelmente será parte de quem você é e da sua memória até o dia que seus olhos se fecharem permanentemente.

Imagine o corpo humano, vazio, marcado apenas com uma silhueta preta para demarcar seu espaço. Quando nascemos estamos dessa forma, vazios, sem nenhum conhecimento. Conforme vamos esbarrando com outras pessoas, que nos dão experiências, momentos e memórias, vamos ficando cheios de conexões (imagine essas conexões de alguma cor, eu imagino azul) nosso corpo vai ficando cheio de marcas, boas e ruins e, não se preocupe, não existe o perigo de transbordar ou ficar sobrecarregado, conexões e encontros nunca são demais.

A gente morre de vontade de cutucar alguém e falar: “Nossa, que saudades eu tenho daquele momento que vivemos”. Às vezes até é saudável fazer isso, vai saber o que pode acontecer? Sabemos quando temos uma conexão com alguém quando paramos em silêncio, lembramos de um momento com carinho, sorrimos de canto e continuamos a viver. As conexões podem ser piores que qualquer saudade ou amor inacabado, pois conforme o tempo passa, vamos esquecendo os problemas ocorridos no momento e pintamos essas lembranças de ouro.

O mundo pode ser triste. O ser humano pode ser cruel. Mas, nessa vida insana que levamos, as conexões que criamos são a única coisa que ainda fazem sentido criar. As coisas acabam e, talvez, você agora tenha que dizer adeus para algo ou alguém, mas fique calmo, as conexões ou as constantes feitas grudam todas as lembranças como cola e não desgrudam por nada.

Seja aquele sabor de bala que você não conhecia, que aquela pessoa que você amava, e hoje nem fala mais, gostava, um filme qualquer que você nunca achou que iria assistir e se pegou apreciando depois de anos e amando, aquela música que te faz lembrar as antigas amizades que você tinha no colegial ou até aquela série que você viu junto com algum amigo, não tem como fugir, você está sempre conectado e agradeça por isso.

Revisado por Stephany Justine

SOBRE O AUTOR

Mais de humanas que queria ser, perdido em um milhão de palavras não ditas.