Dos Muros

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Tudo tem um limite, você sabe. Uma linha traçada no chão ou no ar que separa algo de outra coisa, ou acaba essa primeira para um abismo desconhecido. Quando falo tudo, é tudo mesmo. Qualquer mínima besteira, qualquer gesto, pensamento ou olhar. Ninguém quer passar pelas linhas-limite – ainda mais as suas próprias. “Eu tenho personalidade forte”, a gente ouve dizer: Nada mais que orgulho, que medo, que muro!

Mapeamos nós mesmos geograficamente. As linhas mais totais chegam até a se materializar em paredes, cercas e portas concretas: Documentos, passaportes, papeis e sobrenomes. Nossos muros físicos, nossa ânsia por privacidade, nossas máscaras diárias são um reflexo dos nossos limites inventados. “Nossos” e “inventados” por que são coletivos e ilusórios como a roupa invisível do rei.

SOBRE O AUTOR

Escrever sobre si é tão ególatra.,, mas o que seria de mim sem o eu?