Alguém escreveu um texto

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Hoje, dentre as bilhões de pessoas existentes no planeta, alguém escreveu um texto. E não era qualquer texto. Era somente um texto de alguém no meio de outros que também escreveram seus textos. Mas aquele texto era tão texto que virou o texto de outro alguém. E assim foi.

De um impulso certeiro, sem hesitação. Mas premeditado. Pois sabia que dali tinha de vir algo. Era preciso. Por eles.

Não há escritor se não há textos. A guilhotina de um escritor é o seu possível texto. Não bastam as ideias dentro da cabeça, elas precisam se concretizar, precisam sair. Passear e fazer arruaça nas certezas dos outros. Essa é a graça da angústia de cada um.

A imagem de um escritor é como a de um morto vivo comedor de cérebros. Ele precisa se alimentar de alguma maneira do cérebro de cada leitor. Seu aparelho digestivo são as ideias contidas ali, no texto. Se ele existe? Quem, o texto? Não, o escritor comedor de cérebros. Sim, quem inicia esse terror tão bom é o leitor. Sempre o leitor. O terror precisa de cumplicidade, não é egoísta. O fato e a curiosidade. Ali, em todo o suspiro. A poesia do momento perpassando nas veias do corpo e do suspense.

Esses são os personagens e o gênero universais: escritor, leitor e terror poético.

Revisado por Fernanda Miki

SOBRE O AUTOR

Apaixonou-se pela Música para estudá-la, apaixonou-se por alguém para escrever Poesias, para estudar Letras, para estudar Atuação, para estudar Dramaturgia, para estudar Cinema, mas...no meio veio a História, Filosofia, Psicologia, Sociologia, as orgias e a vida que não para de pulsar em toda a sua complexidade tão simples...