A coisa diz muitas coisas

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A coisa diz muitas coisas. Sim, a coisa é sempre uma mão na roda. Sabe quando ocorre uma pequena falha em nosso processo cognitivo e aquela palavra que procuramos simplesmente desaparece? A coisa sempre nos salva. Tudo bem que o interlocutor pode ficar muitas vezes sem entender sobre o que se fala, mas com um esforço explicativo de nossa parte a compreensão surge, e muitas vezes o nosso ouvinte acaba dando nome à coisa. Problema resolvido.

A coisa é uma coisa que se explica por si só. É difícil defini-la assim, do nada. Dentro de um contexto a coisa se torna mais simples. Mas a conceituação da coisa enquanto coisa é bastante complicada. Como definir algo abstrato? Admiro quem consegue tecer definições das coisas como fazem os dicionários. Sempre encontro dificuldades. Uma coisa é apontar para algo (uma coisa) e dizer “aquilo é uma pedra”, outra coisa é definir algo (outra coisa) que não se pode apontar e dizer aquilo que é. Imagine então dizer o que é uma coisa enquanto a coisa foi invocada para substituir aquilo que não veio à mente. A coisa incorpórea substitui a própria coisa concreta (mesmo que abstrata). É complicado, de fato, mas no transcurso de um diálogo a coisa fica mais entendível.

Explico melhor: imagine que numa conversa você quer se referir a uma coleira de cachorro, por exemplo, mas o nome ‘coleira’ não lhe vem à mente. Simplesmente o termo ‘coleira’ não é lembrado. Você visualiza mentalmente a coleira, consegue explicar o que ela é, mas a palavra não vem. O que te salva? A coisa. Você pode acabar dizendo, por exemplo, “aquela coisa que se coloca no pescoço do cachorro para impedir que o bicho fuja”. Aí está. A coisa que salva.

A coisa é isso, uma coisa. Ela ganha sempre um sentido próprio a depender de onde e quando é empregada enquanto termo. Mas e a coisa enquanto coisa, sem vínculo com o contexto em que é aplicada, pode ser explicada? Faz sentido indagar o que seria a coisa em si mesma? Nesse sentido, não me aventuro em tentar criar uma resposta. Digo apenas que a coisa diz muitas coisas.

Por que será que é tão difícil explicar? Mas que coisa!

SOBRE O AUTOR

"Paulo Silas Filho é advogado paranaense. Possui especialização em Ciência Penais, em Direito Processual Penal e em Filosofia. Ama a leitura. A busca constante pelo saber gera em si o conhecido paradoxo de que "quanto mais se estuda, mais se percebe que muito pouco se sabe", o que apenas o motiva a ir além, e o caminho trilhado para tanto é o da apaixonante literatura!"