Para que vamos à escola afinal de contas?

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Em meio a tantas discussões e polêmicas a respeito da reforma pretendida pelo governo Temer no Ensino Médio, se tem passado por cima de uma questão essencial para este debate: qual é, ou deveria ser, o papel da escola em nossas vidas?

Descontando a Educação Infantil, nós passamos 12 anos de nossa infância e adolescência estudando e em nenhum momento nos parece claro o porquê de todo esse esforço. O senso comum diz que estudar é importante para termos um bom emprego quando crescermos. De fato, dificilmente conseguiremos um trabalho que pague bem se não nos dedicarmos aos estudos, mas será que é só isso que a escola tem a nos proporcionar?

Viver não é tarefa fácil, e viver em uma sociedade cheia de regras de todos os tipos é ainda mais difícil. A escola pode exercer um papel essencial em nossas vidas proporcionando-nos as habilidades necessárias a essa aventura. Embora ganhar o dinheiro que nos sustentará seja essencial para se viver bem, isso não é o suficiente para uma boa vida. É preciso nos relacionar com outras pessoas, com nosso governo, e com todas as regras sociais das quais não há como fugir.

É aí que as disciplinas como artes, filosofia e sociologia entram. Essas e outras matérias da área de humanas nos ajudam em diversos aspectos na relação com o mundo. A sociologia procura explicar essas relações; a arte desenvolve a empatia entre nós; a filosofia traz ensinamentos importantes a respeito da lógica e de como podemos raciocinar e chegar a conclusões mais sólidas em todos os campos.

Cito apenas essas três pois são elas que, junto da educação física, estão sofrendo o maior ataque nessa pretensa reforma. No entanto, cada disciplina no quadro curricular tem sua importância. A propósito, não quero deixar a educação física de fora, ela é essencial não só para nossa saúde como também para a melhora da própria atividade intelectual, e sua possível exclusão dos currículos seria extremamente prejudicial.

O debate educacional é longo e complexo, sendo que eu não teria o espaço nem o conhecimento adequados para me aprofundar em suas ramificações por aqui. Algo que me parece claro, contudo, é que a pedagogia possui um papel fundamental em tornar as pessoas autônomas. Fazer da escola um centro de ensino meramente técnico é descumprir esse papel, é ignorar que há uma multiplicidade de fatores além da capacidade de produzir que são essenciais para que um ser humano seja pleno e feliz.

A conclusão inescapável nessa polêmica toda é, acima de tudo, que faltou debate. Faltou escutar os alunos, os professores e os pesquisadores que passam a vida estudando a educação -, um componente tão importante em nossas vidas –  para compreender como aplicá-la da melhor maneira. Nosso Ensino Médio está sendo atropelado por uma medida provisória e improvisada que carece, aparentemente, de qualquer boa intenção.

SOBRE O AUTOR

Paulista do interior. Engenheiro apaixonado por humanas. Tenta acabar com suas dúvidas espalhando-as por aí. Adora encontrar contradições e acaba de descobrir que não gosta de falar de si na terceira pessoa.