Bonequinha de Luxo e sua importância social

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Se atualmente as mulheres ainda sofrem com o machismo e a repressão, imagine em 1961, uma época em que elas estavam começando suas lutas para poder trabalhar e exercer funções vistas como masculinas após a guerra. O Bra-Burning (ou a queima dos sutiãs) nem sequer tinha acontecido. Imagine, então, como um filme como “Bonequinha de Luxo”, desse mesmo ano, era e ainda é totalmente revolucionário.

Holly, interpretada pelo ícone Audrey Hepburn, é uma moça que vive uma vida um tanto quanto atrapalhada. Em nenhum momento se fala que ela é uma acompanhante de luxo, mas diversos diálogos do filme dão a entender que esse é seu trabalho. O mais interessante é que em nenhum momento do filme ela é julgada ou hostilizada por ser o que é, pelo contrário, o fato só aparece para a construção de seu personagem, como justificativa de sua maluquice. Aí, ela conhece Paul Varjak (George Peppard) que é sustentado por uma mulher rica em troca de prazeres sexuais, mas isto também fica subentendido e também é parte de uma construção do personagem, sem hostilização ou julgamento.

Esse é o primeiro choque que você recebe quando assiste o filme pela primeira vez, pois você automaticamente quer julgar e, por ser um filme antigo, você também subentende que alguém com certeza vai falar que é contra a moral, ética, família tradicional e todo aquele blábláblá, mas não!

O melhor é que não para por aí: existem diversas festas banhadas a bebida e cigarros, amores não correspondidos e vários homens atrás de Holly. E quando a “amizade” de Holly e Paul acontece, acompanhamos diversos diálogos que parecem sair de um filme indie qualquer que fala sobre aproveitar a vida e ter novas experiências. Você consegue imaginar a sua avó falando isso? Pois é. Existe até uma cena em que eles conversam abertamente sobre roubar algo só por diversão. Sem contar os diálogos em que Holly explica que ela não pertence a ninguém, a não ser a ela mesma.

O que torna esse filme genial é o quanto moderno ele pode ser, quantas barreiras ele quebra, principalmente para a questão do empoderamento da mulher – assunto pouco tocado em filmes na época, isto se não for quase inexistente. Mesmo depois de quebrar paradigmas e correr o risco de ser julgada pela sociedade, hoje vemos o ÍCONE que Audrey se tornou, justamente por causa desta personagem.

Uma dica bacana é conhecer o livro por trás do filme, que é bem diferente da trama cinematográfica. No livro, escrito por Truman Capote, Paul na verdade é gay e a história inteira é realmente sobre uma amizade. Tudo isso, escrito em 1958.

Revisado por Jay Araújo

SOBRE O AUTOR

Mais de humanas que queria ser, perdido em um milhão de palavras não ditas.