SETEMBRO AMARELO: Preciso lhe falar sobre Effy Stonem

effy

Effy Stonem é umas das personagens da série britânica Skins. Skins fala sobre dramas adolescentes e é ambientada na pequena cidade de Bristol. Durante a primeira geração somos apresentados a um grupo de jovens cheios de problemas como distúrbios alimentares, descoberta da sexualidade e uso de drogas; lá conhecemos uma jovem misteriosa e de olhos verdes chamada Elizabeth Stonem (Kaya Scodelario), mais conhecida como Effy.

Na primeira geração ela é coadjuvante: aparece como a irmã mais nova de um dos protagonistas. Na segunda geração ela é uma das principais, está no último ano do colégio e conhece Freddy e Cook, amigos de infância que se apaixonam pela misteriosa e indecifrável Effy. Entre histórias de outros personagens e diversas festas, intrigas, drogas, muitas confusões e dramas, se forma um triangulo amoroso entre Freddy, Cook e Effy. A garota está apaixonada e atraída pelos dois de uma forma que não entende. 

Na segunda temporada dessa geração, as confusões externas como a traição de sua mãe, suas duas paixões e intrigas com outras personagens, fazem Effy entrar em uma completa confusão mental, e o fato dela não estar bem centrada e sim desequilibrada por dentro a fez, aos poucos, ir entrando em delírio.

Pronto, agora chegamos onde deveríamos chegar. Chegamos na parte do SETEMBRO AMARELO. Effy  está confusa, sozinha em casa, usando diversas drogas e começa a ter pequenos delírios como um medo horripilante de sair debaixo da cama. Sim, Effy, a linda garota de olhos verdes, misteriosa, por quem todos se apaixonam está com depressão. 

Depressão é uma doença. Quem a apresenta tem falta de um hormônio chamado serotonina, que transmite impulsos nervosos para as células. Ela não se manifesta da mesma forma em todas as pessoas, e se diagnosticada rápido e a pessoa se tratar da devida forma não irá chegar ao estado de Effy. Effy apresenta angústia, tristeza sem motivo, interpretação distorcida da realidade, insônia, perda de apetite, diminuição da libido, raciocínio confuso e o vazio. Seu namorado atual, cuja mãe havia se suicidado, tenta ajudá-la. 

As intenções do namorado não são das piores, mas muitos tentam ajudar e não sabem como, já que é uma doença real, mas invisível. Infelizmente é invisível, quem tem depressão sente dor física, dores no coração, na cabeça… Mas poucos sabem o que fazer e como fazer. Quem tem depressão precisa de atenção, atenção médica e psicológica, pois sempre há altos e baixos no dia a dia. A doença não vem de repente, da mesma forma que não vai embora de repente.

Effy tenta tirar a própria vida porque não está bem,  não para chamar atenção ou algo assim. Ela ouve coisas, está paranoica, doente e com uma angústia que atravessa o peito. Ela recebe tratamento médico, mas o psiquiatra é um personagem curioso e obsessivo (vou parar por aqui para não revelar nada).

Mas o mais importante é que Effy recebe apoio de amigos e pessoas que a amam. Quem tem depressão não precisa de pessoas que digam que você tem que ser forte e levantar, precisa de pessoas que saibam que nada está bem e fiquem ao seu lado, fiquem como disseram que iriam ficar desde o começo. Effy estava desequilibrada e confusa por dentro, usando drogas e agindo de uma forma não condizente, usando as pessoas e tentando ser forte. Quem aparenta ser muito forte ou fria, muitas vezes  tem algo a esconder, e era esse o caso de Effy: tudo o que não é dito ou resolvido vira doença. 

Elizabeth Stonem é linda, consegue tudo o que quer e todos se apaixonam por ela, mas nem ela pôde evitar uma doença que começou aos poucos e quase a destruiu. Quando dizemos que alguém está com depressão é raro alguém entender, não veem como uma doença de verdade, mas é. Dói, falta hormônio, impossibilita de comer e dormir  e deve ser tratada como uma doença. Deveríamos tratar pessoas com depressão com a mesma seriedade que tratamos pessoas com pneumonia.

Para quem se interessou, a história e a trajetória de Effy mostram muito o que é a depressão e o que ela pode causar a você e aos  outros à sua volta.

Revisado por Jay de Araújo

SOBRE O AUTOR

Estudante de letras, 20 anos, gosto desse humor ácido que existe nas coisas, poderia ficar horas escrevendo sobre meus vícios na terceira pessoa, mas por ora, deixo apenas explícito minha paixão pela sétima arte e pela literatura e espero que com elas seja possível melhorar, um pouco que seja, o mundo. E lógico, como todos tenho meus sonhos, talvez virar a próxima J.K. Rowling ou até mesmo seguir os passos de Shakespeare, ou também, ganhar um Oscar, quem sabe...! Hahaha (acho que agora deu para entender a parte do humor ácido, não é mesmo?).