Émile Faguet e a arte de ler

A ARTE DE LER - LITERA - OK

Quais são os tipos de leitura existentes? Há diversas formas de se ler determinadas obras? Como definir as várias formas de leitura? Diferentes autores merecem diferentes leitores ou leituras?

São esses e outros questionamentos que Émile Faguet busca responder na interessante obra “A Arte de Ler”, discorrendo sobre (sim) a arte da leitura.

Situadas em pouco mais de 140 páginas estão as delimitações sobre a leitura e suas formas tracejadas pelo autor. Tratam-se de minuciosas análises sobre as formas de se ler. Para cada tipo de livro, um tipo específico de leitura. Sim, não se lê toda e qualquer obra da mesma forma. Há os livros que exigem leituras acuradas, enquanto outros podem ser absorvidos mesmo em leituras mais corridas. Há os escritos que exigem reflexão a cada parte em que se avança na leitura, enquanto outros são compreendidos pelo simples passar dos olhos. Há as leituras mais complexas, assim como também há aqueles mais fáceis. Enfim, é justamente procedendo uma divisão entre os vários tipos de leitura que o autor constrói a sua análise exposta na obra.

“Ler devagar”, “Os escritores obscuros” e “Reler” estão dentre os títulos presentes nos capítulos do livro. Em cada um destes o autor discorre de maneira específica e crítica acerca das formas que cada livro merece, em sua concepção, ser lido.

No capítulo “As peças de teatro”, por exemplo, Émile Faguet defende que para que se tenha um absorver completo da mensagem transmitida pelo autor da peça, é necessário que, além da própria leitura, haja a contextualização encenada da narrativa, alertando ainda que nas imagens formadas nas mentes dos leitores podem existir divergências de determinados atos, aí estando várias formas diferentes de compreensão exata da imagem intencionada pelo autor da peça. Já no capítulo “A leitura dos críticos”, o autor defende que as manifestações críticas sobre determinadas obras devem ser lidas somente após a leitura da própria obra comentada, devendo a leitura que precede a obra original se dar sobre livros de historiadores literários – somente assim haveria uma coerência lógica para uma melhor compreensão do autor analisado.

“A Arte de Ler” é uma obra crítica, mas, ao mesmo tempo, com um toque de dogmatismo, vez que se trata da exposição de conceituações construídas pelo autor acerca das formas de se ler. Os ensinamentos são pontuais e bastante salutares: é preciso ler e reler, ler com calma, refletir após as leituras, debater e conversar sobre o que se leu – desde que com alguém à altura do diálogo, enfim, ler de diversas formas sobre os diversos tipos de leitura.

E para você, qual a melhor forma para praticar a leitura?

 

 

   Revisado por Bianca Martins Peter

SOBRE O AUTOR

"Paulo Silas Filho é advogado paranaense. Possui especialização em Ciência Penais, em Direito Processual Penal e em Filosofia. Ama a leitura. A busca constante pelo saber gera em si o conhecido paradoxo de que "quanto mais se estuda, mais se percebe que muito pouco se sabe", o que apenas o motiva a ir além, e o caminho trilhado para tanto é o da apaixonante literatura!"