Devaneios sobre conversas!

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“Assim como se estraga o espírito, estraga-se também o sentimento. Formam-se o espírito e o sentimento pelas conversas. Estragam-se o espírito e o sentimento pelas conversas. Assim, as boas ou más conversas formam-no ou estragam-no. O mais importante de tudo está em escolher bem, para formá-lo e não estragá-lo; e não podemos fazer essa escolha, se já não o formamos, sem o estragar. E isso constitui um círculo, e bem-aventurados os que dele se evadem.”

Pascal

 

 

Seja um bom conversador. Isto quer dizer nada além de: converse bem. Conversar é uma das melhores atividades possíveis de se realizar no universo. Apesar de todo o aparato, das roupas e sapatos, das gravatas e opiniões políticas, das ideologias e fanatismos, somos em última instância palavras diluídas no mundo. E claro, o mundo também é palavra, que embora pequena, signifique muito, tal como as conversas, portanto, converse!

Converse rindo, converse chorando, converse com atenção ou cansaço, converse porque nada há que substitua um bom diálogo. Mas atenção: nenhuma conversa pode ser trocada por violência, por maldade, por ignorância, especialmente pela ignorância que assassina brutalmente qualquer tipo de diálogo. A conversa é a casa do espírito.

Seja um bom conversador, compreensivo, reflexivo, argumentativo lógico-racional, seja um comentador observador e um conversador não viciado. Não repita clichês, discuta. Não invente estatísticas, procure e, em seguida, converse. Converse, acima de tudo, com o coração e munido de sinceridade.

Converse para entender e para se perder. Converse até não saber onde começa sua voz e a do outro, até os ouvidos doerem ou a língua inchar. Converse porque palavras serão as melhores memórias que você guardará dos estranhos ou dos amados. Converse com inspiração. Converse após um longo dia.

Converse apenas quando quiser, porém, em caso de dúvida, escolha um bom diálogo. Entre o futebol, a série e o livro, tudo se permite se tiver também aparência e conversas após ou antes. Converse sabendo ouvir opiniões e crenças diferentes, converse com fé ou sem, converse para aceitar ou não. Só não seja intransigente.

Às vezes, para sua própria saúde, apenas converse.

Converse com piedade, com ironia, com sutileza, com hipocrisia, qualquer conversa há de ter uma espécie de alma na palavra que descola dos lábios e gruda no cérebro alheio ou no nosso mesmo. Por isso, é que insisto em dizer repetindo-me à exaustão: converse. Aqueles que não sabem conversar não podem amar. Amar é sempre diálogo. Amar é abertura, é conversa.

Amar também é ser gente, logo, nada nos faz mais humanos, demasiado humanos que conversas. 

 Portanto, converse!

Revisado por Carlos Cavalcanti

SOBRE O AUTOR

L.E.Haubert é a assinatura de Laura Elizia Haubert. 19 anos. Já participou das antologias de contos Tratado Secreto de Magia II, Elas Escrevem Volume II, Dias Contados II, Anno Domini II, Entrelinhas Volume II, Livre para Voar, Sonhos Lúcidos, Outrora e Fantasiando, além de participações em revistas como a Revista Ponto do SESI-SP. Publicou pela Editora Novo Século as obras: Calisto e Sohuem. Publicou em 2015 pela editora Multifoco o livro Ode à Nossas Vidas Infames. Atualmente vive em São Paulo capital e cursa graduação em Filosofia na PUC-SP.