25 fatos sobre BDSM que você não aprenderá em “50 tons de cinza”

50tons1

Esqueça 50 tons de cinza. Eis aqui um manual sobre como as coisas realmente funcionam nessa prática.

VEJA TAMBÉM

10 filmes bem melhores e mais eróticos que “Cinquenta Tons de Cinza”

5 MOTIVOS PARA NÃO ASSISTIR 50 TONS DE CINZA

8 Princesas da Disney no universo de “50 tons de cinza”

*

Traduzido de: buzzfedd

PS: O presente texto trata-se de uma tradução e foi escrito por Casey Gueren, não correspondendo necessariamente com a opinião do Literatortura.

1. Em primeiro lugar: o que BDSM de fato é:

BDSM inclui servidão (bondage) e disciplina (B&D), dominação e submissão (D&S), e sadismo e masoquismo (S&M). “As regras são decididas em conjunto pois BDSM pode ser muito diferente, dependendo das pessoas envolvidas e suas preferências”, afirma Clarisse Thorn, autora de Ithe S&M Feminist, sem tradução para o português. Na maioria dos casos as pessoas preferem uma ou duas das práticas do gênero do que todas elas.

50tons2
2. Não há sempre sexo durante o ato, mas pode ser que haja

A maioria das pessoas acredita que BDSM está sempre ligado a sexo, e ainda que isso seja verdade em muitas situações, alguns traçam uma clara linha entre ambos. “Ambos são experiências corporais intensas e sensuais, provocando uma série de intensos sentimentos entre os praticantes, mas não é a mesma coisa.” diz Thorn. Ela traça a seguinte metáfora: ainda que em alguns casos massagens envolvam relações sexuais, em outros, é apenas uma massagem. Para algumas pessoas, uma esfregadela sempre acaba em sexo. Ocorre o mesmo com a BDSM: é uma questão de preferência pessoal ou sexual.

male-submissive-bdsm
3. Não há nada de inerentemente errado ou problemático com os envolvidos

Esse é um dos conceitos errôneos que mais permeiam o imaginário das pessoas, alega Thorn. BDSM não é algo que surge devido a abusos sexuais ou violência doméstica, e praticá-la não significa que você goste de abusar ou ser abusado. Em vez disso, a prática de BDSM é apenas mais uma faceta da vida sexual e da personalidade de um indivíduo. “São só pessoas normais que gostam de uma determinada prática”, diz Gloria Brama, PhD, autora de Different Loving. “O maior mito é o que você precisa desse conjunto de práticas, o que não é verdade.”

male-submissive-bdsm
4. Você sempre pode dizer não.

“Muitas pessoas começam achando que será 'tudo ou nada', especialmente se for apenas com um parceiro.” Por um momento, você pode achar isso por que você tem apreciado ser submisso sob determinadas circunstâncias, o que significa que você concorda com uma gama de comportamentos masoquísticos ou passivos com os quais você nunca necessariamente se envolveu. Mas tal ideia é absolutamente equivocada. Você pode – e deve – selecionar quais atos você tem interesse ou não em praticar, diz Thorner. E isso pode variar bastante dependendo da situação, do parceiro e até mesmo do dia. Apenas lembre que o consentimento, e é possível consentir com uma coisa e dispensar outra.

50tons3

5. Praticantes de BDSM são pessoas tão estáveis quanto praticantes os “baunilhas”

“Em minha experiência, é mais fácil ser um praticante de BDSM se você não tiver um histórico de abusos, isto é, se estiver num momento estável de sua vida”, diz Thorn. Um estudo de 2008 feito pelo Jornal de medicina sexual (http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/18331257 – link em inglês) mostrou que praticantes de BDSM no ano anterior não eram mais facilmente coagidos a relações abusivas e muito menos a infelicidade ou ansiedade do que não praticantes. Na verdade, homens praticantes de BDSM eram inclusive menos vítimas de problemas psicológicos do que os demais. Praticantes de BDSM também não veem com preconceitos não-praticantes. O termo “baunilhas” não é visto por eles como depreciativo, é apenas um jeito de se referir a pessoas que não gostam da prática.

male-submissive-bdsm

  1. 50 tons de cinza é considerado constrangedor pela comunidade BDSM.

Se você for alguma vez na sua vida a um encontro ou reunião de adeptos dessa prática, nunca, NUUUUUNCA mencione 50 tons de cinza. Enquanto alguns apreciam o fato de que os livros estimularam o interesse pela prática e a tornaram menos estigmatizada, outros se atentam para a relação abusiva e doentia retratada na obra e suas cenas nada realistas. No todo, a obra não é uma representação acurada da comunidade BDSM.

 

VEJA TAMBÉM

10 filmes bem melhores e mais eróticos que “Cinquenta Tons de Cinza”

5 MOTIVOS PARA NÃO ASSISTIR 50 TONS DE CINZA

*

  1. Chicotes e correntes não são usados o tempo todo – ou nunca, se eles não fizerem o seu estilo

Naturalmente, alguns entusiastas podem tê-los em seu arsenal, mas isso definitivamente não é um hábito de todos. “Algumas pessoas tendem ao que é chamado de 'dominância sensual', que é onde pode haver alguns brinquedos ou jogos mas nenhuma dor envolvida”, diz Brame. “Pense num parceiro que concorda com tudo o que a outra pessoa pede. Então. BDSM não tem de seguir nenhum padrão e não há nenhum modelo ideal o qual uma relação BDSM deve se encaixar.”

male-submissive-bdsm

  1. Encontros BDSM são chamados de “cenas.”

Novamente, já que BDSM não são exatamente relações sexuais, você não precisa necessariamente dizer que “transou” ou “fodeu” com alguém após uma relação BDSM. Em vez disso, eles utilizam a palavra “cena” (exemplo, você encenou com alguém ou esteve numa cena). Essa palavra vem do fato de que, se você fizesse S&M com algum profissional do sexo, poderia fazê-lo apenas por uma hora, ou só poderia ver essas práticas em clubes de BDSM.” diz Brame. “Agora as pessoas possuem relações bem mais orgânicas, mas elas ainda a chamam de 'cena' – do tempo em que os brinquedos eram trazidos a tona ou tínhamos que ir até eles.”

50tons4

9. Há dominantes, submissos, tops e bottoms.

Você provavelmente já ouviu falar dos dominantes e submissos (se não, o dominante aprecia estar no comando, enquanto o submisso gosta de receber ordens). Mas praticantes de BDSM podem também usar termos como “top” ou “bottom” para se drescreverem. Um top pode se referir a um dominante ou sádico (alguém que gosta de causar dor), enquanto um bottom pode se referir a um submisso ou um masoquista (alguém que gosta de sentir dor). Esses termos você deve conhecer caso converse com alguém que curta ou se for a um encontro BDSM. E não há regras afirmando que você não pode ser ambos, dominado e submisso em diferentes circunstâncias ou com diferentes parceiros.

male-submissive-bdsm

  1. Pode ser tão simples ou tecnicista quanto você quiser.

Talvez a ideia de ser amarrado te excite, ou curta espancar ou ser espancado. Ou talvez esteja interessado em máscaras de couro, grampos de mamilo ou cera quente. Tudo isso (m muitas outras coisas) são abarcadas pelo BDSM. Basicamente, você pode praticar BDSM sem estar num calabouço ou porão.

VEJA TAMBÉM

10 filmes bem melhores e mais eróticos que “Cinquenta Tons de Cinza”

5 MOTIVOS PARA NÃO ASSISTIR 50 TONS DE CINZA

*

  1. Antes de ir além do básico, dê uma pesquisada

Vendas, algemas e cubos de gelo adquiridos em festas são relativamente inofensivos para iniciantes. Mas antesde você sair por aí usando acessórios mais complicados, você precisa aprender a manuseá-los para fazê-lo com segurança. Mesmo uma corda ou chicote podem ser perigosos se você não souber o que está fazendo. Você pode machucar até as mãos caso não saiba o que está fazendo (pense: punhos): “[Algumas pessoas] conseguem cerrar o punho e enfiá-lo em alguém”, disse Blame. “É um bom jeito de machucar alguém e mandá-lo a um hospital.” (Em ve disso, ela sugere um “uso demasiado de lubrificante” e começar com dois ou três dedos, e então lentamente e com cuidado o restante.)

male-submissive-bdsm

  1. Sério, BDSM envolve MUITA leitura e aprendizado

Se você é uma dessas pessoas que não liga para instruções e quer fazer tudo por conta própria, BDSM provavelmente  não é para você. “Eu diria que muito do chamamos de BDSM 'teórica' é basicamente como maximizar o estase e minimizar riscos”, diz Brame. “Como fazer tudo o que você fantasia e fazê-lo com segurança” . Enquanto não há uma lista de leitura obrigatória, há alguns autores que são recomendados com frequência a iniciantes, como SM 101, de Jay Wiseman, Screw the roses, send me the thorns, de Phillip Miller e Molly Devon, The new topping book e The new bottoming book, de Janet Hardy e Dossie Easton.

Classes, conferências e encontros são também fundamentais para o aprendizado de técnicas específicas, diz Thorn. Outra fonte popular é o FetLife.com, página do Facebook (N do T: em inglês!) para a comunidade BDSM, que pode te colocar em contato com grupos, conselhos e classes da sua preferência.

50tons4

  1. É importante procurar o que você quer em diversas fontes

Um erro que muitos iniciantes no BDSM comete é se deixar ser guiada por uma única pessoa nessa prática. Ainda que elas te ensinem tudo com a maior boa vontade (e elas podem inclusive não fazê-lo), pode ser limitador conhecer apenas uma única perspectiva de uma prática tão multidimensional, diz Thorn. Em vez disso, busque livros, workshops, encontros, mentores, amigos e mais fontes confiáveis para explorar ses interesses.

“Quando você não consegue conversar sobre o que está acontecendo e você não vê sentido em pessoas que partilham dos mesmos princípios que você, é mais seguro agir dessa maneira.” Diz Thorn. ”

male-submissive-bdsm

14. Códigos de segurança são necessários

Isso pode soar brega, mas é uma norma bem conhecida no BDSM. (E o seu código de segurança pode ser literalmente brega, se quiser. Você é quem sabe.) “Códigos de segurança são provavelmente uma das normas mais difundidas nesse meio, ainda que as pessoas os utilizem em diferentes contextos”, diz Thorn. Por exemplo, não é todo mundo que continua usando-os depois de um certo tempo, mas é importante que no começo eles sejam utilizados”, diz Thorn. Eles podem essencialmente ser as palavras que você bem entender, contanto que não seja algo que você diga normalmente durante o sexo. Para ler mais sobre códigos de segurança, clique aqui (link em inglês) (http://clarissethorn.com/2010/07/03/sex-communication-tactic-derived-from-sm-2-safewords-and-check-ins/).



15 - E em alguns eventos públicos, há seguranças a postos.

“Esses seguranças vão expulsar do evento pessoas que não estejam 'se divertindo' com segurança”, diz Brame. Isso pode ocorrer por várias razões, como ignorar códigos de segurança ou usar um chicote incorretamente. Já deu para entender que a preocupação com a segurança dos envolvidos é fundamental entre os adeptos dessa prática. O acróstico SSC (segurança, sanidade e consentimento) é um dos pilares dos adeptos da BDSM.

male-submissive-bdsm

  1. Não é algo tão espontâneo quanto Hollywood fez parecer ser

Ser repentinamente arrastado para o quarto vermelho de um milionário e ter orgasmos múltiplos na primeira relação é algo que dificilmente acontecerá na vida real. Mas isso não é necessariamente algo ruim. “Fantasias sexuais simplificam as coisas”, diz Brame. “Pessoas que praticam BDSM são cautelosas ao falar do assunto. Tem que ser no lugar certo, na hora certa e com os 'brinquedos' certos. E você deve saber que terá de socorrer o outro envolvido caso aconteça alguma coisa. É uma prática que envolve confiança.” Há muitos fatores implícitos envolvidos no ato, mas isso não significa que os envolvidos não curtirão bastante o momento.

  1. Provavelmente haverá mais diálogos do que numa relação sexual convencional

Sempre que as pessoas perguntam sobre a questão do consentimento BDSM, eles devem considerar o fato de que há muita comunicação entre os envolvidos antes, durante e depois do ato. “Conversamos muito com os iniciantes, antes de mais nada.” Diz Brame. “Conversamos sobre o que queremos, o que faremos, nossas fantasias... tudo isso faz parte de uma relação saudável para os praticantes de BDSM.”

male-submissive-bdsm

  1. Na verdade, há um período de pré-negociação, onde os parceiros discutem o que gostam, o que não gostam e o que eles jamais fariam

Pense nisso como o livro didático da cena: “É uma maneira de discutir a experiência antes do tempo e que pode aumentar a sensação de segurança”, diz Thorn. Pode haver coisas como scrpits e lista por escrito para estipular o que cada um espera da prática, o que eles querem ou não e tudo o que estará fora de cogitação.

  1. E então vem o depois, o que será conversado depois de terem feito uma “cena”.

Pelo fato da BDSM proporcionar uma experiência muito intensa e emocional para alguns, muitos especialistas recomendam essa atitude, onde os parceiros discutirão o que ocorreu e seus sentimentos durante a prática. “As pessoas ficam mais vulneráveis durante esse período”, diz Thorn. “Pode ser uma experiência estranha caso isso não seja feito.” Isso também ajuda a aumentar a cumplicidade entre os parceiros.

VEJA TAMBÉM

10 filmes bem melhores e mais eróticos que “Cinquenta Tons de Cinza”

5 MOTIVOS PARA NÃO ASSISTIR 50 TONS DE CINZA

8 Princesas da Disney no universo de “50 tons de cinza”

*

male-submissive-bdsm

  1. Os praticantes podem ser monogâmicos, poligâmicos ou o que bem entenderem

Não é todo mundo que está interessado em BDSM que tem muitos parceiros. “É um estereótipo a ideia de que não temos relações duradouras”, diz Brame. “Muitos praticantes são monogâmicos, muitos só querem fazer algo diferente com seus parceiros ou usar os 'brinquedos' em clubes”.

50tons4

  1. Há muitos tipos de chicotes.

Como já dito, BDSM não é algo oito ou oitenta: há flagelos mais leves, chicotes de couro, chicotes com uma única cauda, com várias – finas e grossas – a lista é grande, diz Thorn.Mas por haver alguns untensílios mais fortes do que outros, você preciso aprender a usá-los corretamente (de novo, workshops são cruciais). “Pessoas que usam um chicote de uma cauda frequentemente começam com travesseiros ou objetos aleatórios como um interruptor de luz”, ela diz.

VEJA TAMBÉM

10 filmes bem melhores e mais eróticos que “Cinquenta Tons de Cinza”

5 MOTIVOS PARA NÃO ASSISTIR 50 TONS DE CINZA

8 Princesas da Disney no universo de “50 tons de cinza”

*

male-submissive-bdsm

  1. E há algumas partes do corpo que você não vai querer chicotear

Como, hmm... os olhos, obviamente. Ou os seus rins. “A pele é fina e você possui órgãos vitais abaixo dela. Cuidado para não ter uma contusão nessas regiões”, explica Brame.

VEJA TAMBÉM

10 filmes bem melhores e mais eróticos que “Cinquenta Tons de Cinza”

5 MOTIVOS PARA NÃO ASSISTIR 50 TONS DE CINZA

8 Princesas da Disney no universo de “50 tons de cinza”

*


  1. Se você levá-la para o seu relacionamento, faça-o sem medo

“Há muitas histórias por aí sobre pessoas que queriam experimentar mas tinham medo e então descobriram que seus parceiros queriam o mesmo”, diz Thorn. Se esse é o seu caso, sugiro que dê uma indireta para o seu parceiro, sugerindo-lhe que leia algum livro que você já leu e que aborde o assunto. Ou apenas converse com ele quando o assunto for “fantasias eróticas” e pergunte se ele já tentou BDSM ou possui algum interesse. Se você parar para pensar, por mais estranha que a conversa pareça, os resultados podem ser maravilhosos para a sua vida sexual!

male-submissive-bdsm

  1. Existem profissionais ( comomédicos e terapeutas) que estudaram o assunto e entendem o seu estilo de vida.

Talvez você esteja preocupado com o fato de o seu ginecologista ou advogado não te entender ou não te façam se sentir confotável em falar sobre. Veja essa lista de profissionais (link em inglês: https://ncsfreedom.org/key-programs/kink-aware-professionals/kap-program-page.html) da Aliança Nacional pela Liberdade Sexual e encontre profissionais que serão mais compreensivos.

Nota do Tradutor: essa lista é uma tradução de um artigo estadunidense e esse item em especial pode não corresponder com a realidade brasileira.

male-submissive-bdsm

  1. Basicamente, é uma prática muito diferente do que permeia o imaginário popular

Entre estereótipos, filmes eróticos e 50 tons de cinza, há muita desinformação envolvendo BDSM. Desde ir a um workshop ou conversar com um especialista, a melhor forma de aprender sobre é fazendo alguma pesquisa. “Assim como uma relação sexual normal, se você quiser ser bom, terá que aprender para saber o que fazer na hora”, diz Brame.

VEJA TAMBÉM

10 filmes bem melhores e mais eróticos que “Cinquenta Tons de Cinza”

5 MOTIVOS PARA NÃO ASSISTIR 50 TONS DE CINZA

8 Princesas da Disney no universo de “50 tons de cinza”

*