10 comédias românticas além da comédia e do romance

A garota está lá, sozinha ou com o cara errado, esperando o verdadeiro amor de sua vida. Eis que surge um par ideal. Normalmente um garoto sem problemas ou defeitos, e que acaba se envolvendo com a menina de alguma forma. Algumas confusões pelo caminho, erros e acertos, até que eles vivem felizes para sempre.

Essa descrição acima pode servir para dezenas de filmes do gênero comédia romântica. É quase uma receita, podendo apenas variar características psicológicas de um ou outro personagem. Porém, generalizar nunca é bom. E aqui, nessa lista, mostro comédias românticas que vão muito além da comédia e do romance, provocando não só suspiros de amor e lágrimas de felicidade em quem está assistindo, como também verdadeiras reflexões sobre a vida e a sociedade. E tudo isso, é claro, com a leveza e sutileza que o gênero propicia.

Questão de tempo, de Richard Curtis

Questão de tempo, a meu ver, foi o melhor filme de 2013, juntamente com Ela. Injustamente ignorado nas principais premiações, o longa conta a história do divertido Tim (Domhnall Gleeson), um garoto com uma vida amorosa fracassada, mas com um poder fantástico: tem o dom de voltar no tempo e refazer tudo da melhor maneira possível. Com o passar do tempo, acaba conhecendo Mary (Rachel McAdams), que ensina a ele que nem tudo é uma questão de tempo, o que, aliás, é discutido em vários âmbitos na narrativa. O pai do garoto (vivido pelo excelente Bill Nighy) é responsável pelas cenas de maior emoção do longa e acaba por trazer uma reflexão além dos relacionamentos amorosos.

Procura-se um amigo para o fim do mundo, de Lorene Scafaria

Procura-se um amigo para o fim do mundo é um daqueles filmes surpreendentes do começo ao final. As surpresas começam com o elenco: Steve Carell, famoso por seus papeis cômicos, faz par com Keira Knightley e mostra ter uma ótima vertente dramática. Além disso, o cenário no qual os dois se conhecem é extremamente inusitado: o fim do mundo.

Assim, mesclando o drama da morte iminente com a comédia e o romance, o filme de Lorene Scafaria possui uma estrutura muito bem delineada e uma história extremamente emocionante. Destaque para a atuação de Martin Sheen, que consegue passar a carga emocional de seu personagem de maneira deslumbrante.

Annie Hall, de Woody Allen

Annie Hall (traduzido no Brasil para Noivo neurótico, noiva nervosa) é um clássico do cinema e merece estar nesta lista por ser um dos primeiros filmes do gênero a conseguir mesclar com perfeição a comédia, o romance e o drama.

Ele conta a história do problemático Alvy Singer (Allen), um judeu divorciado que acaba se apaixonando por Annie Hall (Diane Keaton), uma jovem cantora em início de carreira. O filme, com uma narrativa entrecortada, vai mostrando a vida dos dois e os problemas conjugais que advém com o tempo.

Feitiço do tempo, de Harold Ramis

Outro filme que mexe com viagens no tempo. Nesse, o repórter Phil Connors (Bill Murray) vai contrariado fazer a cobertura de um tradicional evento numa pequena cidade norte-americana. Após o término de seus trabalhos, ele parte desesperado para ir embora, mas acaba ficando preso no tempo: ele acaba revivendo o mesmo dia inúmeras vezes, o que leva o personagem a conhecer o verdadeiro sentido da vida e do amor.

Meus dias incríveis, de Dante Ariola

Cansado da mesmice e dos problemas de sua vida, Wallace Avery (Colin Firth) resolve deixar tudo para trás e iniciar uma nova vida, um novo nome e uma nova profissão: ele agora é Arthur Newman, um talentoso jogador de golfe. Porém, ele acaba sendo desmascarado por Michaela Fitzgerald (Emily Blunt), que acaba entrando numa tumultuada relação com Newman.

É um filme que mostra uma auto-reflexão do personagem e que acaba se estendendo ao espectador. É profundo, tocante, não deixando de lado o escape cômico em algumas situações. Além disso, vale ressaltar a ótima química entre Firth e Blunt.

Meia noite em Paris, de Woody Allen

Outro grande sucesso de Woody Allen e o terceiro da lista que trata de viagens no tempo. Nesse, Gil (Owen Wilson), um consagrado roteirista de Hollywood, vai à Paris com sua noiva (Rachel McAdams), local que foi palco de seus principais ídolos literários. Assim, Gil acaba se questionando sobre os rumos de sua vida de uma maneira totalmente inusitada.

Frances Ha, de Noah Baumbach

Frances (Greta Gerwing) é uma garota que vive no mundo da lua: é brincalhona, vê graça em tudo e parece não querer crescer. Porém, sua vida começa a ruir quando ela recusa o convite do namorado de morar junto com ele, por não querer deixar sua melhor amiga, Sophie (Mickey Sumner), sozinha no apartamento que divide.

Porém, pouco tempo depois, sua amiga resolve ir morar com o namorado e Frances se vê sozinha: sem apartamento e com o namoro fragilizado. Assim, começa a peregrinação da jovem em busca de uma nova vida e realidade. É um filme que mostra uma jovem entrando na vida adulta de forma abrupta e sem nenhuma preparação.

 

 

 

 

 

 

À procura do amor, de Nicole Holofcener

Com uma história extremamente sensível e bem estruturada, À procura do amor é um daqueles filmes que encantam por seus personagens. Ele conta a história de Eva (a excelente Julia Louis-Dreyfus), uma massagista divorciada e que busca um novo amor e novas amizades. Ela consegue realizar seus desejos com Albert (James Gandolfini), um homem engraçado e que vive um momento amoroso igual ao seu, e com Marianne, uma cliente sua e que acaba se revelando uma grande amiga e, surpreendentemente, ex-esposa de Albert.

Além da ótima história, vale ressaltar que o filme é uma das últimas atuações de Gandolfini, que mostra uma química perfeita com Louis-Dreyfus e uma atuação memorável.

Ligados pelo amor, de Josh Boone

Com um elenco estrelar (Greg Kinnear, Jennifer Connely, Lily Collins, Kristen Bell, Logan Lerman), o filme conta a história de uma família que vive turbulentas relações amorosas: o pai (Kinnear) se separou da esposa (Connely) há três anos, mas ainda não superou. A filha (Collins) não quer saber de nada sério e se vê num impasse ao conhecer um garoto romântico (Lerman). O filho (Nat Wolff), por outro lado, busca o amor de sua vida a todo o custo.

Através de um roteiro e direção sensíveis, o filme mostra as várias relações de amor que podemos encontrar numa sociedade e todas as suas problematizações.

O fabuloso destino de Amélie Poulain, de Jean-Pierre Jeunet

Para encerrar a lista, o clássico francês conta a história de Amélie (Audrey Tautou), uma garçonete que descobre uma caixa escondida no banheiro de sua nova casa. Imaginando que pertence ao antigo dono do imóvel, vai atrás dele para devolver os pertences. Depois de vê-lo emocionado ao reaver a caixa, a jovem decide começar a fazer uma série de pequenas benfeitorias. Porém, ainda sente falta de um grande amor em sua vida.

Revisado por Karol Vieira.