Jovem cria programa para quem quer largar faculdade

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Quem até hoje não se perguntou o propósito daquela aula chata da faculdade? Outros até se perguntam o porquê de estarem fazendo determinada matéria, lecionada por um professor mal humorado, sem aptidão didática e que lhes acrescenta muito pouco além de horas entediantes em seus dias. Alunos trocam de curso, mudam de foco e o problema continua o mesmo: a falta de sentido no que fazem. Parece senso comum que todos têm que estudar para vencer na vida e há uma propaganda massiva de pais, avós, professores, governo e mercado para tal. Estude,  forme, corra, estude, mestrado, MBA, doutorado, PhD, um, dois, dez ou mais.

Foi pensando nisso tudo que o norte-americano, Dale Stephens, largou aos 12 anos a escola. Relutante em enxergar sentido no que lhe estava sendo imposto, decidiu por estudar em casa, em grupos de alunos e por fazer estágios.  Ingressou na faculdade, por fim, mas com apenas um semestre largou o curso. Segundo Dale, o que o levou a fazer isso tudo foi não querer “perder tempo com coisas monótonas”. Atualmente, é frequentemente convidado pela mídia, como New York Times e TV CNN, para esclarecer no que consiste essa “perda de tempo”.

 

Engana-se quem pensa que Stephens perde com isso. O jovem, hoje com 21 anos, já participou da Thiel Fellowship, sociedade desenvolvida por Thiel, fundador do PayPal, que visa incentivar, com a singela quantia de 100 mil dólares, pessoas que não desejam os estudos convencionais e se dedicam a outros projetos como pesquisas, causas sociais ou sonhos empresariais.

No momento, Dale montou o próprio negócio, que busca estimular outros jovens a fazer o mesmo que ele. Criou uma organização, chamada UnCollege (uma tradução seria DesFaculdade), e lançou um programa que cobra 13 mil dólares de jovens interessados a “aprender por si mesmo”. As atividades incluem aulas em San Francisco (EUA), sobre temas como comunicação avançada, negociação e autoavaliação. Além disso, o programa conta com estágio em empresas, viagens para lugares que os inscritos nunca tenham ido e a confecção de um projeto.

            “São coisas que você deveria aprender na escola, mas ninguém se interessa por ensinar”, disse o jovem à Folha.

 Até então foram cerca de 200 inscrições, mas o criador admite que deve ser difícil investir em um sistema criado por alguém tão jovem e sem experiência. Nas palavras dele: “Eu concordo que pode não ser a coisa mais racional do mundo, mas eu não estou dizendo que vou ensinar algo que está no sistema [na educação formal], mas algo que está fora” e ainda completa que a ideia não é ter lucros e, sim, “criar um negócio sustentável”.

Portanto, caro leitor, já existe hoje uma “escola” para quem largou a escola. Certamente é algo muito vantajoso para Dale Stephens, mas e quanto ao cliente, mero desempregado? Se por um lado o mercado clama por inovação, criatividade e perspicácia, valores que não são ensinados nas faculdades convencionais, por outro ainda há o peso anacrônico do diploma e dos certificados acadêmicos com atestado de bons profissionais. Como proceder então? Se souber a resposta, por favor, avise a essa pessoa perdida que vos escreve.

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Revisão textual: Patrícia Araújo.

SOBRE O AUTOR

Leonne é quase sempre niilista. É rotulado ranzinza e sistemático, mas acha tudo isso muito engraçado. Ouve rock dos 60 e 70. Adora RPG e quadrinhos. Toca gaita quando lembra que sabe tocar. Escreve quando tem coragem para escrever. Usa sarcasmo como forma de humor e de defesa pessoal. Prefere noite a dia. Salgado a doce. McCartney a Lennon. Bar a festa. Boromir a toda Sociedade do Anel.