Até a morte: Fotógrafo retrata o avanço do câncer em sua esposa e comove o mundo

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O câncer é um estereótipo, quase um clichê, assim como a vida. O ensaio publicado por Ângelo Merendino em homenagem à batalha que sua esposa travou diante de um câncer de mama é retratada em fotos contundentes, afetivas e impactantes, que tem como propósito a busca por um olhar menos preconceituoso e temeroso sobre quem vive esse diagnóstico.

Um olhar ingênuo diria que são fotos em cronologia, desde o início do relacionamento do casal até o início do tratamento quimioterápico culminando com a morte de Jennifer, sua esposa. Porém, esse ensaio é muito mais do que isso. O objetivo de Ângelo foi fazer com que as pessoas conhecessem mais sobre a doença, fizessem um exercício de empatia e, mais do que tudo, ele queria mostrar que o apoio e a vontade de viver do paciente é fundamental. Nas imagens podem-se perceber detalhes importantes. É marcante em muitas delas o olhar dos outros frente à esposa. Olhares de surpresa, de compadecimento, de incompreensão. As pessoas tem muita dificuldade em enxergar sua própria finitude diante de seus olhos. Somos uma sociedade embriagada de uma ilusão de imortalidade que só é rompida – quando o é – por situações como essa, por pessoas que decidem se expor e mostrar suas fragilidades para que as pessoas possam sensibilizar-se e pensar também sobre como vem vivendo suas próprias vidas e como elas próprias agiriam caso se vissem diante de um desafio como o que Ângelo e Jennifer enfrentaram.

Ouse olhar cuidadosamente para essas lindas imagens. Não porque a morte seja linda, porque sabemos que não é, mas porque a vida é linda, e precisamos constantemente lembrar que não é eterna, que não somos imbatíveis. Por vezes, a melhor forma de curar uma dor – como a de perder uma jovem esposa para uma doença ainda tão incompreensível como o câncer – pode ser torna-la concreta e palpável, mesmo que através de imagens, para digeri-la com menos sofrimento e para mostrar a outras pessoas que é preciso estar-se atento ao próprio corpo, atento à própria vida, para que não a percamos mesmo quando ainda temos saúde. Esse ensaio é o retrato de uma batalha de 5 longos anos.

Se valeram a pena? Ele afirma que não trocaria esses 5 anos que viveu com ela por nada no mundo.

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SOBRE O AUTOR

Psicóloga e escritora, não necessariamente nessa ordem. Especialista em Psico-Oncologia, Mestre em Medicina e Ciências da Saúde e Doutoranda em Letras pela UFRGS. Suas pesquisas giram em torno da escrita, memória, esquecimento e Oncologia.