ENEM REDAÇÃO | Estudantes escrevem Hino do Palmeiras, Receita de Miojo, “Rasoavel”, “enchergar”, “trousse” e tiram boa nota:

Por Gustavo Magnani,

Quando eu comecei a escrever esta matéria, o Hino do Palmeiras não estava incluso. Assim como, imagino eu, até eu postá-la, outras coisas aparecerão. Sei lá… a oração do Santo Anjo, um tutorial de como estourar espinha ou até uma lista de vídeos com gatinhos engraçadinhos. Divirei esse post em 3 “etapas”, duas que tratam do mesmo assunto [deboche] e outra que se foca nos erros da gramática normativa. Caso você já tenha lido as notícias, pode apenas relembrá-las, ou pulá-las. Para manter um padrão, selecionei tudo o que aqui está do jornal O Globo. 

 

RECEITA DE MIOJO

Nos dois primeiros parágrafos, o vestibulando chega a comentar a questão da imigração. Mas, no parágrafo seguinte, o candidato descreve o modo de preparo do macarrão instantâneo:

“Para não ficar muito cansativo, vou agora ensinar a fazer um belo miojo, ferva trezentos ml’s de água em uma panela, quando estiver fervendo, coloque o miojo, espere cozinhar por três minutos, retire o miojo do fogão, misture bem e sirva”.

Como se nada tivesse acontecido, o candidato retoma o tema da imigração no parágrafo seguinte e conclui que “uma boa solução para o problema o governo brasileiro já está fazendo, que é acolher os imigrantes e dar a eles uma boa oportunidade de melhorarem suas vidas”. Das 24 linhas da redação, quatro foram reservadas apenas para descrever o modo de preparo da massa.

Embora haja critérios para se tirar nota 0 na redação no Guia do Participante, como a fuga total do tema e impropérios ou atos propositais de anulação, o vestibulando em questão tirou 560 em 1000.

O candidato recebeu 120/200 (60%) na competência 2 da correção, em que são avaliadas a compreensão da proposta da redação e a aplicação de conhecimentos para o desenvolvimento do tema. Pela nota, o Ministério da Educação (MEC) entende que o estudante abordou o tema de forma “adequada”, embora “previsível” e com “argumentos superficiais”. Na competência 3, na qual é avaliada a coerência dos argumentos, o candidato recebeu 100/200 (50%).

Em nota, o MEC afirmou que “a presença de uma receita no texto do participante foi detectada pelos corretores e considerada inoportuna e inadequada, provocando forte penalização especialmente nas competências 3 e 4”. O órgão entende que o aluno não fugiu do tema nem teve a intenção de anular a redação, pois não feriu os direitos humanos e não usou palavras ofensivas. [...] Para o coordenador de Língua Portuguesa e Redação do Colégio pH, Filipe Couto, os critérios de correção não são claros.

- O edital do Enem diz uma coisa e a banca faz outra. Para ele tirar 120 na competência 2, é como se não tivesse se desviado do tema e o abordasse adequadamente, mas não foi o que aconteceu – afirmou Couto. [retirado de oglobo]

 

HINO DO PALMEIRAS

[...] Apesar de dedicar dois dos quatro parágrafos à canção, o estudante tirou 500 pontos num total de 1000. O aluno até aborda o tema “Movimentos imigratórios para o Brasil no século XXI”, mas nos parágrafos de desenvolvimento se dedica à paixão por seu clube.

O autor do texto é o paulista Fernando Maioto, que já havia sido aprovado em Medicina na Faculdade Faceres, em São José do Rio Preto. Ele conta que sua intenção foi a de testar a banca de correção do Enem.

— Sempre escutei histórias de pessoas que fizeram a redação e colocaram receitas de bolo. Como eu sabia que este ano a redação poderia ser visualizada, resolvi escrever o hino do meu time. Mas o grande intuito mesmo era mostrar que os corretores não leem completamente a redação — diz Fernando, que acredita que merecia zero na redação.

No segundo parágrafo, após a frase introdutória “As capitais, praia e as maiores cidades são os alvos mais frequentes dos imigrantes”, ele começa a escrever parte do hino: “porque quando surge o alviverde imponente [...]”. Depois do trecho do hino, ele retoma o tema da imigração, ainda no mesmo parágrafo, com a frase “Por este o principal motivo de invasão de imigrantes”.

No parágrafo seguinte, o estudante acrescenta a conjunção adversativa “entretanto”, antes de voltar ao hino com o trecho “defesa que ninguém passa [...]”. Como o hino chega ao fim, ele fecha o parágrafo com “Fazendo com que muitos imigrantes se tornem escravados (sic) do século XXI”.

Em nota, o (Inep) esclarece que os avaliadores identificaram a impertinência do texto inserido, o que trouxe para a redação palavras e expressões sem sentido e em estilo inadequado ao tipo textual exigido na prova. Segundo o Inep, a redação obteve nota 500, tendo nota baixa especialmente nas competências I e II. De acordo com a nota “desconsiderada a inserção inadequada, o texto tratou do tema sugerido e apresentou ideias e argumentos compatíveis. O texto indica compreensão da proposta da redação, não fugiu ao tema por completo e não feriu os direitos humanos”.

[...]

Ex-corretor da banca, o professor Wander Lourenço afirma que exemplos como esse texto devem ser desconsiderados pelo avaliador.

— Esses casos mostram uma grande crise de ética. Eles têm o propósito de enganar a banca — argumenta. [retirado de  O Globo]

Quanto ao deboche:
Como disse o estudante paulista, não é raro ouvir alguém dizer que já tenha escrito receita de bolo e tudo o mais. Com as redações sendo divulgadas neste ano, muitas coisas ficaram às claras. Principalmente uma: a incompetência avaliativa do INEP. O Enem só não é um fracasso oficial, porque muitas coisas aqui no Brasil – e em tantos outros lugares do mundo -, a gente vai “levando” até, ou dar certo, ou continuar fingindo que um dia dará certo. A prova do Enem já está muito mais pra segunda opção. 
É raro ver universidades propensas a destinar todas suas vagas ao Exame Nacional – e isso já diz muito. A credibilidade do Enem é muito baixa para isso. Quanto aos defensores das notas dadas aos torcedores e aos cozinheiros, me parece uma piadinha de mau gosto, um deboche do deboche. O grande problema é que quem fica sem achar graça nenhuma é o estudante dependente do Enem.
Fiz a prova em duas ocasiões. Na escola, sempre me “destaquei” por uma redação coesa e bem escrita. No Enem, tirei, nas duas ocasiões, uma das piores notas da classe. Triste, levei os textos aos professores e as notas concedidas por eles sempre foram bem maiores do que as recebidas pelos corretores. Quero deixar muito claro, isso não é algo para “me aparecer”, tenho certeza que se você já não viveu essa situação, conhece alguém – aliás, todo o sistema da redação é muito questionável. Enfim… 
Em 2011, no último ano que fiz a redação do Enem – ainda bem – tirei uma nota risível, MENOR do que a de quem escreveu Hino do Palmeiras e Receita de Miojo. Foram 420 pontos. Minha média despencou. Não me trouxe problemas, pois eu já estava encaminhando na federal do paraná. Mas, e se não estivesse? Um estudante que escreveu o Hino do Palmeiras para testar os corretores teria sido mais bem avaliado do que eu. 
E olha, é excelente que o estudante paulista tenha feito isso. O que mais me deixa triste é saber que o INEP está se justificando. Ou seja, ao invés de assumirem o erro e irem atrás de soluções, tentam explicar o inexplicável. Se vamos aceitar, no Exame Nacional, coisas semelhantes, ficará muito difícil para os futuros estudantes.

“ERROS DE PORTUGUÊS”

 

“Rasoavel”, “enchergar”, “trousse”. Esses são alguns dos erros de grafia encontrados em redações que receberam nota 1.000 no Exame Nacional de Ensino Médio 2012 (Enem). [...] Além desses absurdos na língua portuguesa, várias redações continham graves problemas de concordância verbal, acentuação e pontuação.

Apesar de seguirem a proposta do tema “A imigração para o Brasil no século XXI”, os textos não respeitavam a primeira das cinco competências avaliadas pelos corretores: “demonstrar domínio da norma padrão da língua escrita”. Cada competência tem a pontuação máxima de 200 pontos.

Segundo o “Guia do participante: a redação no Enem 2012”, produzido pelo MEC, os 200 pontos na competência 1 são atingidos apenas se “o participante demonstra excelente domínio da norma padrão, não apresentando ou apresentando pouquíssimos desvios gramaticais leves e de convenções da escrita. (…) Desvios mais graves, como a ausência de concordância verbal, excluem a redação da pontuação mais alta”.

O manual aponta, entre os desvios mais graves, erros de grafia, acentuação e pontuação. Na mesma redação em que figura a grafia “rasoavel”, palavras como “indivíduos”, “saúde”, “geográfica” e “necessário” aparecem sem acento. E ao menos dois períodos terminam sem o ponto final.

Em outro texto recebido pelo GLOBO, aparecem problemas de concordância verbal, como nos trechos “Essas providências, no entanto, não deve (sic) ser expulsão” e “os movimentos imigratórios para o Brasil no século XXI é (sic)”. O mesmo candidato, equivocadamente, conjuga no plural o verbo haver no sentido de existir em duas ocasiões: “É fundamental que hajam (sic) debates” e “de modo que não hajam (sic) diferenças”.

Uma terceira redação nota 1.000 apresenta a grafia “enchergar”, além de problema de concordância nominal no trecho “o movimento migratório para o Brasil advém de necessidades básicas de alguns cidadãos, e, portanto, deve ser compreendida (sic)”. Em outro texto, além da palavra “trousse”, há ausência de acento circunflexo em “recebê-los” e uso impróprio da forma “porque” na pergunta “Porém, porque (sic) essa população escolheu o Brasil?”.

Pós-doutor em Linguística Aplicada e professor da UFRJ e da Uerj, Jerônimo Rodrigues de Moraes Neto diz que essas redações não deveriam receber a pontuação máxima.

[...]Logo que o MEC liberou a consulta ao espelho da redação, em fevereiro, o site do GLOBO publicou uma reportagem pedindo que estudantes enviassem redações com nota 1.000, junto com seus comprovantes. O objetivo era expor os bons exemplos no site. Porém, ao ler as redações, a equipe percebeu erros gritantes em várias dissertações. Foram enviadas ao MEC, então, quatro delas. Para não expor os alunos, os textos foram digitados, e as informações pessoais (nome, CPF e número de inscrição), omitidas. O GLOBO perguntou se os desvios não desrespeitavam os critérios estabelecidos pelo manual do MEC, e o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anysio Teixeira (Inep) alegou que não comenta redações: “por respeito aos participantes, a vista pedagógica é dada especificamente a quem prestou o exame”.

Segundo o Inep, “uma redação nota 1.000 deve ser sempre um excelente texto, mesmo que apresente alguns desvios em cada competência avaliada. A tolerância deve-se à consideração, e isto é relevante do ponto de vista pedagógico, de ser o participante do Enem, por definição, um egresso do ensino médio, ainda em processo de letramento na transição para o nível superior”.

Sobre os critérios usados na correção da redação do Enem 2012, estabelecidos pela coordenação pedagógica do exame, a cargo de professores doutores em Linguística da Universidade de Brasília (UnB), o Inep informa que a análise do texto é feita como um todo. Segundo a nota, “um texto pode apresentar eventuais erros de grafia, mas pode ser rico em sua organização sintática, revelando um excelente domínio das estruturas da língua portuguesa”. [retirado de O Globo]

Quanto aos “erros de português”

Logo de cara, precisamos fazer uma separação interessante. Sou o tipo de estudante da língua que luta contra o preconceito linguístico e tenta fazer com que as pessoas entendam o quão infeliz é julgar uma ideia pela forma de falar do indivíduo. Inclusive, ontem cometi um erro adicionando crase onde não deveria. Uma leitora, gentilmente, me alertou do problema e corrigi. Mas, questiono: deveria a matéria ser descreditada por isso? Para mim, jamais. Porém, alguns estudantes pensam da devida maneira. Enfim… estamos falando de uma prova. E a diferença é óbvia.

Discutir quais devem ser os critérios da prova é uma coisa. Outra, é esses critérios estarem estabelecidos e os corretores descumprirem. Acredito, pessoalmente, que nesses casos é necessário haver o bom senso [o problema é que o bom senso é subjetivo, e aí, complica...] entre “erro comum” e “erro grosseiro”. Mas, reitero: os parâmetros de avaliação dizem que a redação devem cumprir as exigências do padrão da norma culta portuguesa. Isso é oficial. Isso está no MANUAL. Como, portanto, ir contra? 

É errado? Então, abra-se a discussão e seja mudado [ou não] os cristérios. Mas, por hora, eles existem e deveriam ser cumpridos. Não adentrarei em toda a questão do “erro” ou desvio da norma, para isso já escrevi algumas matérias, a qual vale, por citação, uma resenha do livro do professor Sírio Possenti: Por que (Não) Ensinar Gramática Na Escola?

Em suma, se há algo que quebre os critérios de avaliação, o avaliado deveria ser, justamente, punido. Se os critérios são ruins ou errados, aí é outra discussão. E vocês, o que pensam? Não esqueçam de comentar! 

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Gustavo Magnani, estudante de Letras da UFPR, proprietário do literatortura. Está revisando o primeiro livro, mas sente dificuldades hercúleas para escrever uma bio. [e, como pode-se notar, adora metalinguagem]

 

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SOBRE O AUTOR

idealizador e administrador do site, da Revista e da página Literatortura; blogueiro por escolha própria e escritor por escolha própria também - já que nunca acreditou muito no conceito de destino. No momento, revisando o primeiro livro e tentando solidificar este incrível projeto literário/cultural que é o Literatortura.

Comentários

  1. Kelvin Javorski Soares disse:

    O grande problema é haver requisitos de avaliações iguais expostas a todas as redações, mas também haver igualdade de nota a redações de qualidades totalmente diferentes, caso de muitos que comentaram anteriormente, inclusive eu.

  2. Thiago Santos disse:

    Na era em que vivemos, onde as pessoas escrevem apenas por celulares, correio eletrônico, mensageiros instantâneos e afins, e tudo se escreve na base de “pq”, “pfv”, “brb” e outros, creio que o que levou à não exclusão destes candidatos foi o fato de ainda que mal escritas, não utilizaram “internetês”, muito embora que as redações sejam totalmente sem pé e nem cabeça… Vendo isso e lembrando da musica geração coca-cola do legião urbana onde Renato Russo diz: “…somos o futuro da nação…”, se esses ai forem de fato o futuro da nação, estamos em uma nação sem futuro em todos os sentidos

  3. Juliana Brito disse:

    Sobre o ENEM

    Que bom que ainda existem jovens irreverentes e capazes de fazer algo necessário quando os mais velhos já não se dispõem a fazer: avaliar o avaliador. Os meninos que introduziram em seus textos do ENEM (Exame Nacional do Ensino Médio) uma “receita de Miojo” ou o “Hino do Palmeiras” poderão ajudar à aperfeiçoar o Exame mais do que muitos teóricos de plantão ou jornalistas hipócritas da nossa mídia elitista. Para esta, o que interessa apenas é que os menos privilegiados deixem de “contaminar” as instituições que sempre lhes pertenceram. Os mais pobres não estão apenas querendo ir para “os cursos de pobre” como tem sido tratadas historicamente as licenciaturas, eles querem ocupar e dividir as mesmas salas dos “templos do saber” que antes eram frequentados apenas pela “nata da sociedade”, ousam ser médicos, juízes, engenheiros etc.
    Se a língua foi “ferida” por erros ortográficos, a que se debater sobre isso, e creio que não são os jornalistas os mais habilitados a discutir sobre linguística, como eu também, uma pobre mortal, não estou habilitada a discutir sobre um cálculo estrutural ou uma intervenção cirúrgica. Piores e mais graves erros são os de sentido que a Elite que patrocina a mídia comete todos os dias, subvertendo a lógica dos fenômenos sociais. Está aí para todos verem: um assalto é culpa da vítima, uma greve é culpa dos trabalhadores, a falta d`água é por culpa do desperdício da população etc. Claro, que para os puristas, mais vale escrever certo o errado. Mas nós sabemos que a linguagem é poder, depende de quem fala e de onde fala. É por isso, que ao invés de questionar o cerne do problema e investir seriamente na Educação Básica e na valorização de seus profissionais, retiram o foco do que realmente importa e elaboram uma série de discursos e regras que passam a exigir o impossível aos meninos que saem do Ensino Médio, que façam uma redação, entre outras provas, sem nenhum erro. Não conheço nenhum autor que tenha conseguido tamanha façanha, as edições corrigidas estão aí para provar. Eles criaram um fato e agora propõem a solução: acabem com o ENEM! Dessa forma, o Brasil continuará indo muito bem, ao menos para uns poucos privilegiados.
    Salve os nossos meninos irreverentes, que ao nos ensinar a fazer um bom “Miojo” nos ensinam a questionar! Ainda há esperança!
    Juliana Brito 22/03/13

    1. Jadson Rodrigues disse:

      Sinceramente, fiquei simplesmente incrédulo e extremamente surpreendido com seu jeito irreverente e brilhante de se expressar. Sem contar a ilustre ortografia sem nem ao menos um erro (visto por mim). Incrivél!
      Cheguei a conclusão, quase indubitavél, que vc é escritora, jornalista, ou algo do gênero. Se puder, gostaria muito de ouvir e expressar minhas opiniões sobre assuntos diversos, com vc… Facebook: jad-rodrigues@hotma…

  4. Jadson Rodrigues disse:

    Acredito eu, que, o Ministerio da educação do Brasil nunca foi e nunca será bom. Melhorou em alguns aspectos mas certamente não vai passar disso. Fiz o enem de 2012 e ao reler minha redação depois que saiu o resultado, achei simplismente que fui horrivel, muitos erros de gramática (que para mim seriam imperdoaveis),e alguns trechos em que há pouca coesão. E mesmo assim fiquei com a pontuação de 660… não entendi direito, mas… é a vida.

  5. Isabelle Xavier disse:

    Sinceramente, acho ridículo as pessoas aqui criticarem a nota 1000 de pessoas que tiveram erros gramaticais na redação. Se os textos foram bem articulados, argumentado, organizado, que foram de encontro com os direitos humanos e com uma excelente solução ao problema, porque erros tão pífios de gramática teriam que retirar a nota máxima do candidato? isso sim seria INJUSTO… vocês têm noção do quanto preconceituosos estão sendo?
    No caso da redação do miojo e do hino do palmeiras, eles não deveriam tirar zero mesmo porque no EDITAL(vocês pelo menos o leram?) consta que o zero só pode ser dado se o texto for totalmente fuga ao tema e se for contra os direitos humanos. O que não aconteceu com essas redações, eles escreveram sobre o tema, só que em partes ou escreveram a receita do miojo ou o hino do palmeiras, por isso os pontos foram descontados e não tiraram a nota máxima.
    Outra coisa, essas pessoas nos comentários estão dizendo que, no colégio, ou no cursinho tiravam só notas altas e quando foram fazer a redação do enem levaram pau e acharam injusto. Para 99% dessas pessoas, desculpe ser sincera, mas com certeza não foi injusto. Vocês devem entender que a maioria dos cursinhos, para não perder o aluno, dão a eles notas altas o que acabam iludindo-o. Nos colégio, eu também tirava de 8,5 para cima, no vestibular tirei 5,0 e não fui aprovada. No outro ano fiz um curso isolada de português/redação e meu professor ao fazer redações presenciais só me dava nota de 5,00 para baixo e mostrava o quanto meus textos eram expositivos e sem argumentação, apesar de dificilmente ter erros gramaticais. Daí o quanto os colégios e cursinhos não preparam os alunos adequadamente para fazer redações que sejam aceitas para sermos aprovados nos vestibulares, nos iludindo.
    Então vocês que estão achando injusto que candidatos que tiraram 1000, erraram ortografia e vocês não, mas mesmo assim tiraram 500-600, tenham certeza de quanto covardes estão sendo ao não admitirem que não sabem argumentar, nem estruturar bem suas redações, diferente dos que conseguiram nota máxima. Ou muitos são apenas ignorantes e não sabem que existem critérios mais importantes para um excelente redação do que uma ortografia invejável

    1. Ellen disse:

      O ruim é ler comentários como este que defendem um sistema que não funciona.
      Há sim redações ridículas que conseguem notas que não mereciam, pessoas que conseguem 1000 porque corretores leem apenas a introdução e conclusão.
      Eu não quero que meu país seja avaliado por um teste tão sujo quanto este.

    2. Clézio Preiler disse:

      Longe de mim querer dizer que o ENEM é uma forma de seleção eficiente, pois não é. Pois bem, e quais métodos de seleção adotadoss pelas universidades brasileiras o são? E mais, o que você prezada Ellen considera como um teste “limpo”, em contraponto com a suposta sujeira que você alega ser o exame? Prezo muito a escrita redigida dentro da norma padrão da língua, mas penso que uma fuga à gramática normativa não seja motivo para se desconsiderar todo um texto, afinal escrever é um processo, e processos não se compõem apenas de uma parte e sim várias. A ortografia é uma dessas partes, bem, mas não é a única.

  6. Alexandre T. Sztyber disse:

    A prova é para avaliar o nível de conhecimento do aluno. Toda avaliação tem esta finalidade e erros são normais. Eu já errei muito e erro, só que o que eu me lembro da época de escola é que era minha responsabilidade me superar. Não havia facilidade e isso me deu a impressão que havia mais comprometimento da nossa parte como estudantes. Não havia espaço para brincadeiras. Isso também trazia amadurecimento, pois sabíamos separar responsabilidade do recreio.

    Não acredito que os meninos brincalhões deveriam levar a culpa toda pelo miojo, pelo hino ou pelo que mais aparecer. É uma questão de anular, como seria feito em qualquer escola normal e rezar para que o amadurecimento lhes venha com o tempo. A culpa é do sistema, na minha opinião. Como estas inserções não fizeram as redações saírem do tema??? Não era concurso de piada ou de tema livre.

    Eu fico assustado porque a gente vê isso direto. Lembro-me das risadas que eu dava no Programa do Jô e a apresentação das correções das provas. Hoje eu já não vejo como humor. Vejo com pesar. Somos nós que perdemos com isso na qualidade de cidadãos e profissionais. Já tive colega de trabalho que não sabia escrever relatórios e perguntava por que deveria se ele era engenheiro. O negócio dele seria só cálculos. Está assim. Um pensamento pobre, curto e estreito.

    É só passear pelos blogs de notícias e ler os comentários. Como eu já disse, errar é normal, mas a gente vê erros diários que me faz pensar que mudaram a gramática novamente quando me deparo, por exemplo, com palavras que não levariam cê cedilha como você, estacionar e outras que passaram por esta revisão não oficial e tem cedilhas sobrando. Tem alguma coisa errada. Como que com tanta tecnologia e informação a educação descambou?

    Quando eu fui membro de um júri popular me cabia absolver ou condenar uma pessoa que havia praticado um atentado a vida de alguém numa bebedeira. Eles eram da mesma família e já estavam de bem após alguns poucos anos. Quase absolvi. Pensava assim até o momento que a promotora disse que se absolvêssemos estaríamos dando carta branca para quem quisesse praticar o mesmo ato e teriam o direito de impunidade já que haveria um precedente.

    Acho que é a mesma coisa com estas avaliações. Se quiserem salvar o sistema tratem-no com seriedade, porque se houver um precedente a ideia de seriedade acaba aqui. Se é para avaliar, seja avaliado o caso real e não o hipotético. Simples, mas crucial. Um país de analfabetos é o sonho de muitos políticos.

  7. Lua Prateada disse:

    Olhem, desculpem-me se pareço ríspida, grossa, ou o que quer que seja, mas essa discussão é extremamente cansativa. Não estou reclamando do fato de ela estar sendo muito debatida, pois um debate, quando útil, não deve ser considerado excessivo. Entretanto, quando uma discussão fica girando apenas em torno de uma mesma visão e essa visão é, além de exagerada, precipitada, aí sim. É uma discussão cansativa, porque não há nada de realmente útil sendo debatido. Há uma meia dúzia de argumentos que são repetidos por pessoas que, sinceramente, não sabem do que estão falando.

    O Enem é uma avaliação que precisa ser melhorada? E como! Há alguma dúvida nisso? De forma alguma! Nem poderia haver! Alegar que essa prova já atingiu o nível desejado seria de um otimismo ingênuo absurdo! Porém, vamos com calma… As pessoas adoram a oportunidade de criticar tudo quando se sentem no direito para isso; direito esse que não possuem, porque a crítica que fazem é basicamente destrutiva e agem como se estivessem acima daqueles que criticam. A boa crítica é aquela feita por pessoas que reconhecem, antes de qualquer outra coisa, seus próprios erros, sua capacidade (humana, diga-se de passagem) de errar. E, ao criticar, o objetivo delas não é o de se mostrarem superioras, mas o de realmente levar a uma reflexão, ou a alguma melhoria.

    Vamos começar falando sobre a questão dos erros gramaticais. Nossa, mas que absurdo, não é mesmo? Como pode uma redação que escreveu “trousse”, “enchergar” ou “rasoável” tirar a nota máxima em uma redação? Bem, para responder a essa tão importante pergunta, eu poderia começar apontando o edital. Sei que muitos acham esse um argumento fraco, mas sejamos racionais. As pessoas não vivem pedindo por organização? Então sejamos organizados e comecemos pelo primeiro ponto óbvio. O que diz o edital? Ele diz que a competência principal a ser avaliada nesse exame é o de argumentação. Isso quer dizer que, quando corrigimos uma redação – sim, eu sou professora de Língua Portuguesa e dou aula para o Ensino Médio, ou seja: para os grandes interessados no Enem – há o que vale mais pontos, há o que se leva em maior consideração. São os chamados aspectos macro. Os aspectos micro, que também são válidos, é claro, valem pontos também, mas menos. Entram aí os erros de ortografia. Ao menos, é assim que vários vestibulares fazem a correção de suas redações – eu dou aula em cursinhos também e estou bem antenada com a forma como esse processo ocorre. Resumindo: uma redação que trabalhe muito bem sua parte argumentativa, em caso de alguns erros gramaticais, é bem possível que esses sejam relevados. Eu mesma já disse aos meus alunos, em sala de aula. Eu digo que o foco deles deve ser a argumentação, pois a maioria das provas exige dos alunos o conhecimento necessário para se fazer uma dissertação, que acredito ser o gênero mais difícil de se trabalhar. Enfim, eu mesma mostro exemplos de redações de vestibulares de grandes universidades e apresento os fatos: Redações com nota máxima, mesmo havendo um erro aqui e outro acolá.
    Estou pregando que não se deva corrigir os erros de português em uma prova de Língua Portuguesa? Claro que não! Nas minhas provas, erros gramaticais fazem meus alunos perderem pontos. Contudo, já ocorreu de algum aluno escrever uma resposta tão incrível que a falta de uma vírgula, de uma crase, de um erro ortográfico ou de concordância deixarem de ser importantes.
    Alguns poderão me dizer que isso está errado. Se errou, errou. Pronto, acabou. Não é mesmo? Discordo. Discordo inteiramente. É assim que vocês gostariam de ser avaliados? Por causa de um erro desses, sua redação não mereceria uma nota máxima? Àqueles que me disserem que não se importariam em ser penalizados, pensem de novo. E olhem para sua própria consciência. E também para sua própria história. Quem aqui realmente quer ser julgado por apenas um detalhe? Um mísero (mísero, sim!) detalhe, que não atesta sua capacidade cognitiva! Porque essa é a verdade! Desde quando conhecer a gramática à perfeição indica ser essa pessoa mais inteligente que a outra? A única coisa que a gramática faz é auxiliar a pessoa a compreender sua própria língua, com o intuito de fazer bom uso dela e, consequentemente, saber se expressar de forma mais adequada. Olhem, que fique claro: Eu adoro estudar gramática. Gramática Normativa mesmo, com todas as suas regras e exceções. Ela sempre me ajudou a entender mais a minha língua, minha cultura, minha literatura. Eu gosto. No entanto, eu sei há pessoas que sabem se expressar muito bem, mesmo desconhecendo certas regras, certas ortografias. Minha admiração por essas pessoas não diminui por conta de um erro de concordância que percebo, ou devido à má conjugação de um verbo (e isso acontece muito). Sabe, é querer minimizar a capacidade humana, se os julgamentos a respeito de uma redação recaírem tão enfaticamente sobre esses detalhes. É claro que, em se tratando de conhecimentos gramaticais, quanto maiores eles forem, maior sua expressividade dentro da língua. Sim, e por isso é importante não deixar de avaliar esse quesito, referente à parte gramatical do texto, mesmo. Por mais que eu lute contra o preconceito linguístico, não sou do tipo que prega o fim do estudo à gramática – e, na verdade, quem luta contra esse tipo de preconceito não prega qualquer coisa desse tipo; essa á uma falácia que se espalhou com rapidez, como sempre ocorre com falácias -, apenas compreendo que o domínio da norma padrão não faz uma pessoa melhor que outra.
    Aqui mesmo, considerando o texto e os comentários que se seguem. Todos eles, e eu digo TODOS, têm erros gramaticais. Contudo, isso deveria invalidar o conteúdo? O próprio dono dessa página já precisou se retratar por conta de alguns erros cometidos – e não estou me referindo a erros que passam batidos, por causa de rápida digitação ou coisa assim, refiro-me a erros de português mesmo – e ele mesmo pediu às pessoas que, embora ele reconhecesse os erros, que as pessoas deixassem de ser essa patrulha da língua portuguesa e prestasse mais atenção ao conteúdo. (Para ser sincera, agora estou na dúvida se foi aqui que vi isso acontecer ou em alguma outra página…). E eu concordo com isso. No final das contas, a língua existe para que possamos nos comunicar. O mais importante ainda é saber se fazer entender. E se uma redação é capaz de me passar argumentos inteligentes e de forma coerente, eu não vou mesmo ficar presa a alguns erros de português. Até porque ninguém é capaz de acertar tudo. Ninguém é capaz de escrever sem cometer um errinho sequer.
    Se não acreditam, peguem um clássico para ler. Ora, vamos direto ao grande nome da Literatura Brasileira, Machado de Assis (amor da minha vida!). Todos sempre têm elogios a esse grande escritor, certo? E não é para menos, Machado de Assis foi simplesmente fenomenal e fundamental à nossa literatura. Suas ideias, suas análises do ser humano, seu modo único de argumentar… Tudo isso fez que ele se tornasse um gênio das nossas letras (e merecido). Ele, porém, não dominava a nossa língua à perfeição. Cometia erros (por sinal, sua esposa Carolina era quem costumava corrigir seus textos, já que ela era uma estudiosa da gramática). Afinal, é bom lembrar que Machado não teve a clássica escolaridade de outros grandes autores. O que ele aprendeu, aprendeu por conta própria. E sabia escrever.
    Se não quiserem ficar com apenas esse exemplo, podemor rumar para o outro grande ícone da nossa literatura, José de Alencar. Este também comete seus erros. Não são muitos, óbvio (e também não tão poucos que possam passar inteiramente despercebidos), mas lá estão. E não, não são erros de tipografia, ou de datilografia, ou de digitação. São erros do autor. Todavia, a existência deles em nada diminui o trabalho de um autor que é fantástico, por tudo que escreveu e por tudo que representa dentro da nossa cultura.
    Eu não vou nem trazer para a discussão autores como Guimarães Rosa (maravilhoso, perfeito). A tal da licença poética reina de forma belíssima em sua obra, o que nos prova, uma vez mais, que o uso correto da gramática não implica um texto melhor. No final, volto a dizer, o que se diz ainda é mais importante do que como se diz (certo, ambos têm sua importância, não estou dizendo o contrário… digo apenas que, se for necessário colocar em uma balança e pesar qual deve ter maior peso… Sim, o que se diz pesa mais).
    Então, antes de as pessoas começarem a falar do absurdo que é encontrar em uma redação o uso de palavras com sua ortografia errada, pensem em quantos outros textos, de grande circulação e de até maior importância, como ofícios jurídicos e textos do gênero, não têm também seus erros. Talvez não apareçam em textos desse porte palavras como “trousse” ou “enchergar”, mas não duvido nada que eles venham com a conjugação errada do verbo “vir”. É impressionante como são raríssimas as pessoas que acertam essa conjugação. Sabiam que é errado dizer “Quando eu ver você”, ou “Se eu ver você”? Sabiam que o certo é “Quando eu vir você”, “Se eu vir você”? E não me venham dizer que um erro é pior que o outro; isso não existe. Erro é erro. O que para um pode configurar como um erro absurdo, para outro pode não ser. Depende da vivência de cada um.
    Para não ficar só no verbo “vir”, quantos aqui usam o verbo “haver” da forma correta? Quantos sabem que o verbo “haver”, na forma de existir, é impessoal, ou seja, não vai para o plural? Ou seja, dizer que “Haviam muitas pessoas na sala” é errado. Quantos aqui já escreveram que uma coisa não tem nada “haver” com outra, quanto o correto é que uma coisa não tem nada “a ver” com outra? Quantos aqui escrevem: “O fato dele agir assim é legal”, quando o correto é “O fato de ele agir assim é legal”? Quantos aqui não erram a regência do verbo “namorar”, e dizem que namoram com alguém, quando o certo é namorar alguém (o verbo é transitivo direto)? Quantos também não erram a regência do verbo “pisar” e dizem que pisam no chão, quando o correto é pisar o chão (esse verbo também é transitivo direto)? Quantos aqui não erram a ortografia da palavra obsessão (e escrevem obcessão, ou obsseção, ou sei lá o quê)? Quantos não erram a escrita da palavra ascensão (e escrevem ascenção)? Quantos aqui sabem que o uso da palavra “através” só é correto se indicar algo que atravessa, como em “A luz passa através da janela”? E dizer que “Fiquei sabendo disso através de um amigo” é errado e que, nesse cado, o correto é dizer que “Fiquei sabendo disso por meio de um amigo”? É errado dizer que “Eu gosto de suco ao invés de refrigerante”, porque “ao invés” só se usa quando se quiser falar de opostos, como “Eu gosto do dia ao invés da noite”. Se o que se deseja é meramente falar da preferência de um em relação a outro, deve-se dizer “em vez de”. “Eu gosto de suco em vez de refrigerante”.
    Eu não estou querendo dar aula de Língua Portuguesa aqui, meu objetivo é unicamente querer mostrar que todos erramos e que isso não necessariamente deve diminuir sua capacidade ou habilidade de argumentar, de se expressar. A língua existe para auxiliar o ser humano a se expressar, mas se ele for muito bem capaz de fazer isso, mesmo incorrendo em alguns erros, eu não vejo problema algum em congratulá-lo. E até de lhe dar nota máxima.
    Eu sou escritora e, talvez por isso, eu já veja essa parte de endeusar a gramática como algo exagerado e despropositado. Mas acredito que se as pessoas seguirem essa linha de raciocínio que eu apresentei, poderão ver que não estou falando absurdos.

    No mais… Quanto à questão de o menino escrever sobre miojo, ou sobre o hino do Palmeiras… Também teria muito a falar, mas como já cansei e acredito que quem leu tudo isso aqui (se é que alguém leu, o que aliás nos prova como as pessoas criticam muito sem poder. Adoram falar de quem escreve mal, mas nem se dispõem a ler. Ler o que quer que seja. Ler, apenas. Um exercício fundamental e rotineiro para aqueles que se dizem tão defensores da nossa línuga) já deva também estar cansado. Então, resumo meus argumentos a um ponto: Tirar 500 ou 560 pontos de 1000 pontos é tirar metade (ou quase, no segundo caso) do total de pontos. As redações em questão apresentam motivos para terem obtido esses pontos. Acho que o que muitos pensaram ser absurdo foi a tal da fuga ao tema, que não foi total. Ou acreditaram que o desrespeito deveria ter levado à anulação da redação. Até concordo nesse ponto. Desrespeito é outro assunto, aí já estamos falando de ética e, de fato… Poderia merecer um anulamento. Contudo, o edital não previa tal motivo como válido para anular a redação. O resultado é que se tratou o parágrafo do miojo como um parágrafo incoerente dentro do texto, que, dentro de um contexto, faz merecer a perda de pontos, não de todos – e com isso eu concordo. Não há motivo para se perderem todos os pontos ali. Mas enfim… Dessa parte, eu digo apenas que é preciso melhorar e consertar algumas coisas, como o edital. Acrescentem-se alguns motivos para que uma redação seja anulada. Do contrário, fica difícil mesmo fazer algo. É preciso seguir as regras do jogo. Às vezes, elas parecem burras mesmo. Entretanto, abandonar as regras é complicado no mundo em que vivemos. Quando se deixa a regra de lado e age-se baseado no famoso “jeitinho brasileiro”, sempre podem surgir problemas. Ninguém parou para pensar nessa mesma situação, se ela estivesse em um outro contexto? Imaginem, por acaso, se essa redação pertencesse a um garoto que fez a brincadeira, por achar que estivesse já dentro de uma boa faculdade, querendo testar se o exame era bom e respeitável (foi algo assim que ele alegou, não foi?). Imaginem, em uma realidade alternativa, que esse garoto houvesse se confundido, que algo tivesse dado errado e que, na verdade, ele não tivesse a vaga garantida na outra faculdade, como ele pensava (ok, eu sei que isso é praticamente impossível, mas embarquem na minha possibilidade, porque o foco dela não é esse ponto). Se a redação dele tivesse sido anulada, e apenas por causa disso ele não conseguisse o necessário para entrar em alguma universidade, o que aconteceria? Ele poderia entrar com algum recurso? Poderia, sim. Teria validade? Teria, sim. Haveria gente defendendo? Haveria, claro. E quem o defendesse alegaria justamente isso, que há motivos para a redação valer pelo menos alguns pontos. O que estou tentando fazer aqui não é defender a redação do miojo e do Palmeiras, porque concordo que foi uma falta de respeito. Digo apenas que a prova foi vítima de suas próprias regras. Regras que foram seguidas. Regras que podem estar erradas? Podem, e provavelmente estão. Isso desmerece a prova como um todo? Aí é que eu me recuso a concordar. Tantas outras provas de vestibulares e de concursos também estão cheias de regras furadas e trapalhonas… E isso justifica algo? Não; um erro não justifica outro. Mas não vejo essa movimentação gigantesca para dizerem por aí que esse é um país perdido por conta dessas provas.
    Eu tenho minhas opiniões sobre provas de vestibulares e concursos, tenho para mim quais são os (diversos) erros que enxergo nessas formas de avaliação, consequentemente vejo isso também no Enem… Mas enfim… Essa é outra discussão. O que eu quis trazer para esse debate foi o que eu penso a respeito das notas dessas provas e como elas foram dadas. E sobre isso, eu falei. O resto, fica para outra… ou não.

  8. Lua Prateada disse:

    Ah, e antes que alguém já venha me falar… Fui reler o que escrevi e já vi que cometi erros também (opa! olha o lado humano que TODOS têm), e mesmo que eu tivesse optado por revisar o texto antes de enviá-lo, certamente continuaria havendo outros. Você edita e continua havendo algo de errado; edita outra vez e é incrível como sempre parecerá haver uma outra forma de escrever, melhor, mais clara… Enfim. Imperfeições, imperfeições… Impossível fugir delas.