Pastor Marcos Feliciano: presidente de Direitos Humanos | Uma compilação de gafes, homofobia, racismo e abuso de poder.

Por Patrick Wesolowski
Uma compilação sobre o novo presidente da Comissão de Direitos Humanos da Câmara dos Deputados.
“O deputado Marcos Feliciano do (PSC-SP) é o mais novo presidente da Comissão de Direitos Humanos da Câmara dos Deputados. Sob protestos de ativistas contrários a sua indicação e posse a eleição ocorreu a porta fechada e teve dos 18 votos 11 a favor.
Ainda sob protestos e a portas fechadas, a Comissão de Direitos Humanos da Câmara dos Deputados elegeu, na manhã desta quinta-feira (7), o deputado Pastor Marco Feliciano (PSC-SP) para presidir o colegiado. A vice-presidência ficará a cargo de Antônia Lúcia (PSC/AC). A votação ocorreu com 11 votos favoráveis, dos 18 membros do colegiado e dos 12 presentes na votação, pois 6 deixaram a sala em protesto.
Eleito, Feliciano disse que vai propor a criação de um minigrupo para debater “todos os assuntos de forma bem democrática”. O pastor acrescentou que vai dar a resposta aos contrários ao seu nome trabalhando em defesa dos direitos humanos de todos os segmentos. “O trabalho que vamos executar vai mostrar ao povo brasileiro que não sou homofóbico. Caso cometesse esse crime, teria que pedir perdão, primeiramente, à minha mãe, uma senhora de matiz negra”, disse o parlamentar. “Quero lembrar que os direitos humanos são fundamentais. Sei o que é ser discriminado, sei o que se passa no nosso País”, alegou Feliciano.” [retirado de blogs.odiario.com]
O pastor Marcos Feliciano é, nas horas vagas, a partir de agora, presidente da Comissão de Direitos Humanos da Câmara dos Deputados. A dúvida que ficou [e fica] é: seria ele a pessoa certa para o cargo? Ou melhor, ele atende aos requisitos mínimos [no que diz respeito a zelar pelos direitos humanos] para o cargo?
Dízimo
O video no link abaixo é amplamente discutível e serve de base para identificarmos a postura do Sr. Feliciano perante seus fiéis [veja bem que ainda estamos falando de seus fiéis!].
Nele é possível identificar a forma com que o pastor fala do dever dos crentes [não no sentido pejorativo, por favor] com o dízimo.
“É a última vez que eu falo. Samuel de Souza doou o cartão, mas não doou a senha. Aí não vale. Depois vai pedir o milagre para Deus e Deus não vai dar. E vai falar que Deus é ruim” Disse Feliciano.
A não ser que meu senso de lógica esteja falhando, me parece que, segundo o pastor, pessoas que não prosseguem da maneira indicada por ele, não tem direito de pedir algo a Deus ou, então, que Deus não vê com “bons olhos” aqueles que não doam. Em primeiro lugar, cartão de crédito, débito etc, não é coisa que se deve doar ou mesmo emprestar. Ele é de uso pessoal e intransferível
A questão “é ou não é certo pagar o dízimo” é bem ampla e gera muita discussão, mas é fato que muitos líderes usam da inocência do fiel para bem próprio ou de um pequeno grupo de colegas. Deus provavelmente não deve gostar de alguém abrir mão de tudo para que o pastor [não necessariamente o Marcos Feliciano] compre uma fazenda no Mato Grosso. O maior problema, em meu ponto de vista, é a enorme insistência dos líderes religiosos em fazer com que os fiéis doem. O fator preocupante dessa problemática não é o fato de pessoas doarem para ajudar aos outros, mas sim o destino final dessas doações. Afinal, segundo a próprio filosofia cristã, mais importante do que construir [vários e luxuosos] novos templos, é ajudar ao próximo.
Estelionato
O pastor também está respondendo a uma ação por estelionato no STF. A acusação é de que ele teria embolsado cerca de 13 mil reais em shows evangélicos. A informação é do ig.
“Isso não te quebra o coração? Vai mesmo ficar com esse dinheiro na carteira?”
“Se não puder ofertar 1000, oferte 500.”
“Quem crê, dá um jeito.”
“Mas pastor, eu não posso 1000, não posso 500, posso fazer de 100 pra 90 dias? Pode! O que não pode é ficar me olhando com essa cara feia e falando: para logo, para logo, por que nós temos uma meta aqui. E você vai comer do melhor da terra daqui a pouco.”
São frases do pastor durante o vídeo. O pastor também demonstra uma insatisfação em não receber carros de doação, dizendo: “não veio nenhum carro hoje, acho que só veio no final de semana”.
Após receber as ofertas ele conclui:
“Esses eu queria segurar todos na mão porque eu vou fazer uma oração especial para ele.”

Preconceito e Homofobia
Em 2011, Feliciano declarou que os “africanos descendem de ancestral amaldiçoado por Noé”. Depois, disse que foi mal compreendido: “Minha família tem matriz africana, não sou racista”.
“Em seu site, ele escreveu, com o apuro digno de uma criança de doze anos, que, dentro da igreja, tinha assegurada pela Constituição a total liberdade de manifestação. Sentado nessa total liberdade, insistiu: “A própria ciência revela o predomínio de infecção por esta doença em pessoas manifestamente homossexuais, tanto é verdade que quando se doa sangue na entrevista se for declinada a condição de homossexual essa doação é recusada”. [retirado de pragmatismopolitico]
Escreveu ele sobre o vírus HIV em pessoas homossexuais, dizendo, em certa ocasião, que a doença era o “câncer gay”.
Utilizar-se de sua liberdade de expressão para espalhar mentiras e preconceitos é uma atitude altamente condenável. Poderíamos discutir aqui, como já foi feito em vários artigos do literatortura, o direito de liberdade de cada um, mas, prefiro direcionar a uma postagem especificamente sobre isso, para não me alongar.
Não quero ser entendido errado e terem a ideia da pregação de ódio aos religiosos, no caso, principalmente, aos evangélicos. A questão é que no cargo ao qual ele se propõe, era de se esperar uma aceitação e respeito por todas raças, credos e orientação sexual, porém, ao que tudo indica, essa não é a postura que o pastor assume.
p.s: caso apareça alguém com a resposta básica de “não julgue para não ser julgado” ou coisas semelhantes, devo lembrar que o VOTO é um PLENO exercício de JULGAMENTO. E, assim que o indivíduo passa a ser um representante do POVO, ele não pode fugir de ser julgado por ninguém, seja evangélico, negro, gay, ou evangélico negro gay.
*texto escrito com supervisão e acréscimos de Gustavo Magnani
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Patrick Wesolowski, cursa pós em Gestão de Pessoas, adora ler [principalmente mistério e filosofia] e aprender idiomas. Estudou inglês, francês, japonês, alemão e atualmente estuda russo, mas, tirando o português e o inglês, só balbucia frases curtas. Está escrevendo seu primeiro livro lentamente e adora falar de sí mesmo na terceira pessoa.
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Não poderia ter dito de maneira melhor. Ele mesmo se contradiz, e na cara dura mesmo. Ótimo texto, com senso crítico. Acredito que pastores possam ser bons, mas a maioria predominante manipula sem remorso algum. Me pergunto QUEM é que votou nesse ser de mente pequena para esse cargo.