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Publicado em 4 de março de 2013 | por Gustavo Magnani

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Seth MacFarlane e a crescente contestação do humor politicamente incorreto


Por Cecilia Garcia,

Há pouco mais de uma semana (exatamente no último dia 24 de fevereiro), o Oscar foi apresentado por Seth MacFarlane. Pela repercussão, trouxe a discussão para minha matéria de estreia no Literatortura.

No Brasil e no exterior, fazer humor vem se tornando uma tarefa cada vez mais difícil. A universalização da busca por um humor “politicamente correto” cresceu muito depois da popularização das redes sociais – observe como as últimas polêmicas relacionadas a piadinhas polêmicas têm vínculo direto com o Twitter, por exemplo. Minorias se levantam e protestam contra formas de humor que ofendem ou que não são consideradas cômicas de forma alguma. Não foi diferente com as piadas do americano Seth no Oscar 2013, tanto é que ele disse que não apresentaria o Oscar novamente.

Falando dos peitinhos das atrizes com o vídeo “We saw your Boobs”, e também fazendo referência cômica ao assassinato de Lincoln por um ator (disse que o ator que matou Lincoln com um tiro na cabeça era quem, de fato, tinha “entrado na cabeça” do presidente americano) Seth fez, de certa forma, o que já era esperado dele: piadas ácidas que flertam o tempo todo com o tabu e o politicamente incorreto. Mas, na verdade, pra que tanto choque com as piadinhas tirando o sarro do público? Será que alguém tinha dúvidas de que MacFarlane pesa a mão na hora da piada? Será que havia qualquer expectativa de delicadeza no humor de alguém que cria Ted e Family Guy?

É claro que é importante tentar conter o discurso de ódio e preconceito que se espalha em forma de piada, principalmente quando dissemina preconceitos ou incentiva comportamentos condenáveis – vide o caso da afirmação sobre estupro do Rafinha Bastos, que foi deveras infeliz ou ainda o Danilo Gentili e sua piadinha comparando King Kong a jogadores de futebol. Na época, o prof. Sírio Possenti, da Unicamp, que estuda chistes e humor com propriedade, explicou por que as piadas não são todas iguais e falou sobre a carga sócio-histórica que carregam. Por este aspecto, não dá para negar que existe, sim, certo tipo de humor condenável. Seria o caso de MacFarlane e suas piadas incessantes sobre Ben Affleck ter sido esquecido? Talvez. Com exceção das piadas sobre Rihanna e Chris Brown (cujo relacionamento foi comparado com o filme Django) e Lincoln, nada que remetesse a crime ou preconceito foi claramente exposto.

Talvez tão importante quanto a discussão do que é o “humor bom”, ou o “humor de verdade” é a questão de que se há nichos para cinema, TV, revistas e livros, pode-se ter certeza de que há nichos para o humor. Embora considerado inconveniente, a crítica ao host do Oscar deste ano  não foi unânime, uma evidência clara de que por mais que tenha incomodado, ele não foi totalmente odiado. Ao invés de debatedores se degladiarem sobre o tipo de humor que MacFarlane faz – competente em geral, podendo flertar com o mau gosto ou ainda extremamente grosseiro – talvez seja interessante pensar na audiência e nas suas expectativas. Parar de criar situações em que o humor questionável seja disseminado é uma alternativa para evitar tanta polêmica. Apreciadores de MacFarlane ou de qualquer outro humorista, teriam diversas outras formas de acompanhar seus trabalhos e eles não sofreriam represália pública. Haveria ainda a chance de pensar em um público capaz de reconhecer valor em um estilo de humor diferente do que lhe apeteça e não se ofender facilmente. Mas, como sabemos, este último está mais difícil.

 

PS: não se trata de defender nenhum dos humoristas mencionados. Particularmente, achei algumas piadas de MacFarlane meio inadequadas para um evento que preza pela elegância como o Oscar. Mas como esta é só a minha opinião, gostaria que fosse possível nos tornarmos uma audiência mais tolerante com o humor que não é obrigatoriamente ofensivo, mas sim, quiçá, de mau gosto.

Link recomendado: O comentário de Sírio Possenti sobre Danilo Gentili

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Cecilia Garcia é formada em Linguística pela Unicamp e pós-graduada em Jornalismo pela PUC-Campinas. Atualmente estuda Letras na Unicamp e tem convicção de que é através do debate que a cultura se expande e que a tolerância é a palavra-chave para repensar o mundo contemporâneo. Apaixonada por Literatura Inglesa, tem diálogos imaginários com Jane Austen – mas não é esquizofrênica, até que se prove o contrário.

 

 

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Sobre o autor

idealizador e admnistrador do site, da Revista e da página Literatortura; blogueiro por escolha própria e escritor por escolha própria também - já que sempre questionou o conceito de destino. No momento, comprando tempo para revisar o primeiro livro e tentando solidificar este incrível projeto literário/cultural que é o Literatortura. Me siga no facebook: https://www.facebook.com/ghmagnani



Comentários

  1. Fábio Marques disse:

    Piada é piada. Umas são boas, outras ruins.

    Segue o debate…
    http://www.youtube.com/watch?v=aF3aPUeaAkY

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