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Publicado em 28 de fevereiro de 2013 | por Gustavo Magnani

Comentários

Wolverine e Hércules se beijam em nova HQ da Marvel

 

Por Gustavo Magnani,

A polêmica da semana no mundo dos quadrinhos se dá por conta de mais um beijo gay. Desta vez, entre dois ícones da virilidade para os leitores. Parece que as Histórias em Quadrinhos descobriram que homossexuais existem, e aí começaram a atirar para todos os lados, sem muita coerência e sem muito “coragem de verdade”, querendo mais polemizar do que ser, de fato, construtiva.

A história se passa na HQ “X-Treme x-Men 10″ e não faz parte do “canône oficial”, é uma história de um UNIVERSO PARALELO. Na trama – que inclusive já foi cancelada -, os dois heróis viajam por diversas épocas e possuem contato com vários personagens.

No texto de divulgação da HQ está escrito: “Nós fomos os mai­o­res heróis de nos­sos mun­dos. E no dia em que mata­mos o pior mons­tro que ame­a­çou o Domínio do Canadá Nós reve­la­mos nosso amor”. No Brasil, ela chegará em setembro.

A Marvel faz questão de lembrar que o Wolwerine “real” não é, até onde sabe-se, gay ou bisexual e essa é apenas uma versão alternativa de um universo alternativo. Para o não-leitor de quadrinhos, a notícia pode parecer não ter nada de mais. E, não é pelo beijo gay que ela “revolta” boa parte dos fãs, mas sim porque eles sabem que essa é uma estratégia suja da editora de criar uma publicidade maior em torno da revista. Assim como as mortes recorrentes, o “beijo gay” tornou-se outra maneira apelativa – ao invés de uma boa história – de vender mais.

Isso, inclusive, irritou vários fãs gays, que compreendem toda a artimanhã da editora, que cria uma história meia boca para englobar um beijo e criar grande polêmica. A questão é muito simples: por que não criar, desde a origem, um personagem gay e fazer dele um herói louvável? Transformar, de uma hora para outra, um personagem em homossexual é mudar toda a origem e identificação que o leitor possui com o mesmo. Não é por mudar o sexo, mas por mudar a maneira que o leitor verá o mundo através dos olhos dessa persona. Por exemplo, a “Batwoman” se relaciona com outras mulheres e tem histórias excelentes e ninguém reclama sobre ela. Por que? Porque ser GAY não é maior do que a história, do mesmo jeito que ser hétero também não é. 

Outro exemplo: o herói “Midnighter” do ”The Authority”, que é um baita personagem e é gay, sem maiores rebuliços ou apelação publicitária. Repito: Por que? Porque ser GAY não é maior do que a história, do mesmo jeito que ser hétero também não é[2].  Ao meu ver, é um descaso tanto com a causa gay, quanto com os leitores. Não existe NENHUM problema em inserir a homossexualidade nas histórias, mas fazer apenas para causar bagunça, de maneira mal construída, é deplorável em muitos aspectos, tanto artísticos quanto sociais.

 

 

 

 

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Gustavo Magnani, estudante de Letras da UFPR, proprietário do literatortura. Está revisando o primeiro livro, mas sente dificuldades hercúleas para escrever uma bio. [e, como pode-se notar, adora metalinguagem]

 

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Sobre o autor

idealizador e admnistrador do site, da Revista e da página Literatortura; blogueiro por escolha própria e escritor por escolha própria também - já que sempre questionou o conceito de destino. No momento, comprando tempo para revisar o primeiro livro e tentando solidificar este incrível projeto literário/cultural que é o Literatortura. Me siga no facebook: https://www.facebook.com/ghmagnani



Comentários

  1. wellington disse:

    Adorei, kkkkkkkkkk

  2. Avati disse:

    Discordo, quando se pensa em beijo gay como atração publicitária. O beijo gay nem chegou a ser aceito a ponto de se tornar uma estratégia de atração. Ao contrário, a revista está se arriscando demais, porque muitos leitores sequer comprarão a edição e muita propaganda contra será feita pelos reacionários. Acho importantíssimo que se pegue um ícone como Wolverine, o típico machão ranzinza e letal, para este tipo de campanha. Afinal, se você acha estranho que QUALQUER um tenha desejos por indivíduos do mesmo sexo, seja ele quem for, já está bem claro que toda a jogada é mais do que eficiente, mas fundamental. Somente quando não gerar mais polêmica, somente quando qualquer um puder ser o que quiser, independente da expectativa e da vontade alheia, aí sim, teremos um povo livre da homofobia.

  3. Luisa disse:

    Não leio os quadrinhos, mas vi o comentário de alguém que disse que lê e que “esse Wolverine” (no caso, General James Howlett, nessa história) demonstrou ser gay desde o início da história, não é uma coisa “de uma hora pra outra”. Pode não ser verdade, mas achei o comentário sensato. Outra coisa é que me pareceu que quem mais se ofendeu foram justamente os não-leitores de quadrinhos, já que os leitores, em geral, já estão acostumados com reviravoltas e universos paralelos. Achei o comentário sobre o assunto feito pelas meninas aqui: http://garotasgeeks.com/wordpress/2013/02/28/polemica-wolverine-e-hercules-se-pegando/ bem sensato também.

    Claro, mais vale criar um bom personagem homossexual desde o início. Mas pra quem mata e ressuscita personagens em troca de público, não acho grande coisa.

  4. Alexandre T. Sztyber disse:

    Ah, não me incomoda tanto.

    Eu procuro pensar que no futuro hétero será uma minoria (se já não é) e fará parte das discussões quando ocorrer um beijo hétero. O trauma que proporcionará. O perigo das instituições.

    Eu já me acostumei em ser Cristão, branco e hétero. Nem tudo é bom sendo minoria, mas tenho privilégios e direitos especiais. Sei que não é certo, mas se a maré está ajudando…
    :-)

  5. Erick Artmann disse:

    me parece q o absurdo da história não é o beijo no final, esse é o de praxe no romantismo estadunidense (só q antigamente era mais hetero). A história toda me parece absurda. Monstro q ameaçou o Canadá? ah, sim, vamos fazer uma história ridícula mas encenada sobre o país vizinho! Me pergunto se a “franquia” Conan ainda estivesse com a marvel, se eles deixariam o nosso querido(rs) bárbaro cimério de fora dessa… hahaha. e a história do beijo no final, sendo uma produção/publicação recente, parece até provocação sobre a polemica do Card na dc…. não me surpreenderia.

    1. Godinho disse:

      Erick, é terrível fazer suposições sem saber do que se está falando. Talvez o erro não seja seu, talvez possa ser dividido com quem fez o texto. Afinal, não acharam necessário dizer do que se trata a história.

      Vamos lá. A cena não acontece no final, é só uma breve lembrança de Wolverine, quando ele resolve contar como se aproximou de Hércules. Aliás, o relacionamento dos dois é um detalhe, assim como quando o Ciclope negro (sim, ele é negro) conta sua participação na Guerra Civil americana quando matou SEIS MIL soldados.

      Veja, transformar um herói branco em negro é tão diferente quanto um hetero em homo. Ou um professor ético em um nazista responsável pelo genocídio de milhões. Tudo isso acontece na história.

      Que tal ir ler antes de tirar conclusões apressadas?

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