Liberalismo e o Neoliberalismo | Globalização e Crítica.

Por Gabriel Barbosa,

Tendo como principal teórico Adam Smith em seu estudo A Riqueza das Nações, o liberalismo difunde as ideias formuladas no século XVIII que dão conta por: abrir mercados, privatizar a propriedade e estender relações comerciais, que o fazia de uma ideologia dos países tidos como capitalistas. No século XVIII, ele surge como um ideológico que desafiava o feudalismo quanto ao comércio e a produção, onde tinha o intuito de converter riqueza em capital e a livre-troca de trabalho por salário. O liberalismo permeia durante o século XIX onde tem seu declínio com a Primeira Guerra Mundial e logo após com a crise de 29.

Alguns países que tiveram seu desenvolvimento mais tardio (Alemanha, EUA) tentaram manter-se afastados do liberalismo com algumas políticas protecionistas, onde mantinham o mercado interno e suas indústrias emergentes. Alguns outros países (Brasil, México) acolheram o capitalismo “de Estado” para a industrialização e diversificação de economia em seus países, onde surge o nacional-populismo decorrente das crises mundiais que bombardeavam o liberalismo. Logo, o neoliberalismo surge, com a crise desse nacional-populismo e da derrota do socialismo.

O neoliberalismo se assemelha ao liberalismo na questão de defender que é o mercado, e não o estado, o único alocador de salários e capital, posiciona-se contra as regulamentações e é a favor do livre mercado, luta contra a influência dos sindicatos no capitalismo. O neoliberalismo por mais que tenha uma base parecida com a do liberalismo, influencia uma economia de forma diferente, pois o neoliberalismo marginaliza e exclui as classes produtivas, interligando setores do mercado, o que vai gerar uma grande perda produtiva [como já afirmado]. Fará, então, com que haja desemprego em larga escala, trabalhos temporários e a grande aplicação de novas tecnologias. Isso faz com que o neoliberalismo contemporâneo seja retrogrado,pois, tenta aplicar a tecnologia do século XXI numa formação social do XVIII.

A política Neoliberal é resultado de uma classe de novos capitalistas e donos de indústrias que surgem, com grande capital e investimentos em bancos privados em países imperialistas. Essa estrutura dos livres mercados gerou sobre o trabalho assalariado uma polarização que banalizou setores dos funcionários públicos aos privados, má remuneração e baixa estrutura social que gera os marginalizados do mercado, criando proletariado de trabalhos ilegais. O livre mercado aumenta as desigualdades sociais e a expansão econômica fazendo um aprofundamento das divisões de classes.

               

A teoria Neoliberal

                A política neoliberal pode ser resumida em cinco pontos.

  • Estabilização.
  • Privatização.
  • Liberalização.
  • Desregulamentação.
  • Austeridade fiscal.

O neoliberalismo se mostra como um ideológico, que faz abstrações sociais, culturais, onde postula um mundo formado por indivíduos que concorrem entre si – o que faz que essa concorrência se torne um padrão de vida, fazendo os indivíduos desenvolverem-se de forma competitiva para maximizar a produção e lucros.

O neoliberalismo postula que a teoria neoclássica não tem nada a ver com o mundo real e que a teoria são especulações e que são baseadas em hipóteses, os teóricos neoliberais, não admitem ao dizer que a teoria crua não tem nada a ver com a realidade. No caso da América Latina, nos últimos anos a América Latina tem sofrido mudanças de uma chamada democracia liberal, onde afirma que a população latina, tem uma autonomia e liberdade pra escolher a forma de manutenção econômica, política e social de seu Estado. O que é difundido entre as elites e os meios de comunicação.

Em suma, os conceitos neoliberais não significam o que propriamente se apresentam, pois são apresentadas onde mais procuram significado, nos sistemas eleitorais. Os conceitos neoliberais são devidamente copiados dos conceitos de esquerda, onde são criados eufemismos crus. Por exemplo, o termo “reforma estrutural” criado pelos esquerdistas para indicar a redistribuição de terras de cima para baixo, para os sem-terra etc. Os neoliberais usam o mesmo termo para a privatização de propriedade pública.

Para entender a globalização deve-se levar em conta que ela surge de um resultado sociopolítico e de seus agentes sociais. O argumento dos neoliberais é que a globalização é inevitável ao capitalismo. Esse argumento é falho, pois as novas tecnologias aceleram e aumentam a informação e a circulação de capital, mas a tecnologia não determina pesquisa e projeto ou locação de investimento.

A globalização não é inevitável [e isso pode ser um tanto chocante], porque as demandas concorrentes aos mercados locais mudam o mercado mundial, que não é resultado de “imperativos” [imperativos, numa explicação breve, seria, digamos, um modelo imposto pelas empresas maiores. Tipo um “imperativo econômico”. É algo que vai orientar todo o resto da economia, do mercado, baseado em um modelo que “funcione”. Por exemplo, a bolsa de valores], mas de uma organização político-militar. Os imperativos não controlam um mercado mundial, nada além de um escritório de multinacional. A questão básica que relaciona o comportamento do mercado pode ser relacionada com a análise de classe e nas instituições econômicas. A produção de intercâmbio no mercado mundial é um comando especial que emana de um conjunto de classes que determinam tipo de inserção no mercado.

 

Mudança Econômica

A nova estratégia econômica foi adotada de acordo com uma ditadura militar, com um misto de investimento estatal e privado, regulamentação internacional e com políticas externas e internas. Essa nova estratégia foi apoiada pelo governo dos E.U.A, bancos privados e outras instituições. A consequência disso é que os mercados tornaram-se livres. O livre mercado não era livre para o trabalho e foi liberado para o capital através do estado. A privatização não destruiu os monopólios, que passaram de públicos para privados.

Na América Latina, as políticas de livres mercados foram impostas pela força e a tomada “ilegítima” do poder (regimes militares) onde as instituições que foram estabelecidas durante esses regimes, permaneceram intactas durante a transição para as políticas eleitorais. Ou seja, o que se criou na ditadura, permaneceu intacto na transição para a democracia.

 Isso contextualiza a implicação do porque as mídias alegam que a América Latina vive agora o casamento dos livres mercados e da democracia. Os novos regimes eleitorais que surgem perpetuam as políticas de livre mercado.  Os neoliberais não fizeram campanha para concorrer ao governo sob a bandeira de livre mercado, mas sim através de programas populistas. Após já estarem no poder, as políticas de livre mercado são implementadas.  Resumindo: As políticas autoritárias do livre mercado são herdadas da época dos regimes políticos e se mantiveram na transição para os regimes eleitorais.

Os antigos partidos de esquerda [que hoje apenas se intitulam de esquerda], ao entrarem nesse processo de eleições, tiveram, assim como os outros governos neoliberais, que manter a linha de livre mercado, imposta pelos regimes ilegítimos. Foram feitas novas apropriações de conceitos de esquerda, mas mantidos com embasamento neoliberal por trás de uma ideologia populista que também se manteve nos outros governo de cunho neoliberal.

O Neoliberalismo não é como alegam seus teóricos, um produtos que gera globalização. Pois os avanços tecnológicos aconteceram, tanto antes quanto depois do neoliberalismo. A globalização é tida como conceito de civilização e industrialização, mas não leva em conta a bruta divisão de classes. O neoliberalismo basicamente é uma desculpa para reorganizar e promover a concentração de riquezas e uma nova orientação do Estado em favor dos novos ricos. As palavras “democracia” e “livre mercado” não são coerentes em uma frase de contexto neoliberal, pois não capturam a intervenção e o papel do estado na economia.

Bem, espero que tenham gostado. O assunto é riquíssimo e gera uma discussão bacana. Qualquer dúvida, não hesitem em questionar. Deixem seus comentários e claro, não esqueça de curtir :). Obrigado.

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Gabriel Barbosa Rossi cursa História pela UNIOESTE; Não, não sei todas as datas, Não sei todas as capitanias e seus donatários e muito menos se realmente Hitler se suicidou.


SOBRE O AUTOR

idealizador e administrador do site, da Revista e da página Literatortura; blogueiro por escolha própria e escritor por escolha própria também - já que nunca acreditou muito no conceito de destino. No momento, revisando o primeiro livro e tentando solidificar este incrível projeto literário/cultural que é o Literatortura.

Comentários

  1. Raysa disse:

    Bom texto. Só gostaria de deixar aqui a questão que se opunha ao feudalismo. Na verdade, o feudalismo tinha poucas trocas comerciais. Se opunha ao MERCANTILISMO, sistema econômico da monarquia absolutista. Não sei se tô certa no meu parco conhecimento de ensino médio, hahaha. Mas gostei do texto. (Apesar de não concordar com a ideologia liberal).

  2. brand disse:

    awesome photos, good quality and very unique. thanks for sharing this to us! good job