
Bem, primeiramente, temos um probleminha; vejo esse texto mais como prosa poética do que conto em si. Tem mais cara de sequela do que cena. E como dito nas regras do Dissecando, não me sinto muito confortável pra analisar poesia.
Vamos lá;
“Talvez a doçura anterior tivesse ficado demasiada para se suportar,” doçura, anterior, demasiada. Palavras que nesse contexto evocam um português não só rudimentar, mas sem ritmo. Uma emoção forçada. “talvez tivesse se amargurado com o tempo”. Vê a diferença? Uma sentença penosa, pra logo depois vir uma simples e ressoante.
Mas – de novo – troca-se tudo e vem outra sentença penosa “ou talvez tivesse sido temporariamente roubada em decorrência de uma ou outra ferida que logo haveria de se curar”. Primeiro; parece que a frase não acaba nunca. Temporariamente, decorrência, haveria de,. Mais uma vez a língua trava e se perde em tantas palavras substituíveis.
Veja o segundo parágrafo; muito mais simples e ao mesmo tempo mais complexo, bonito, palpável.
O terceiro parágrafo tem um probleminha “na ausência de salva-guarda”. Primeiro, não entendi muito bem. Segundo, a indicação sempre deve vir primeiro. Caso contrário, eu leio toda a sentença [que não é curta] e no final, quando você coloca “na ausência de salva-guarda”, minha mente precisa voltar e adaptar tudo o que foi lido ao “na ausência de salva-guarda”.
No finalzinho do quarto parágrafo; “a um passo da loucura, a um passo de tornar-se humana”. Eu colocaria ou; “a um passo da loucura, a um passo da humanidade”. Ou “a um passo de tornar-se louca, a um passo de tornar-se humana”.
E finalmente; o “quem lhe dera tudo fosse real” ficou meio vago. E me pareceu mais pra causar efeito do que realmente útil. Não sei se algo escapou ao meu entendimento ou não.
O texto é muito bonito. Prosa poética quando o autor conhece a língua dificilmente é feia. É um texto bem escrito [algumas ressalvas], bem visível etc. Não possui nada de diferente, até porque é um devaneio [e não um conto]. E como devaneio ele funciona. Apenas cuide com os exageros linguísticos. Você sabe escrever, não é preciso mostrar descaradamente.
obs1; esse era um grande problema meu, exagerar na linguagem. Ainda bem que tenho me corrigido [por causa das pessoas que chamaram minha atenção]. E tenho certeza que você também corrigirá.
obs2: Parabéns pelo texto!

Primeiramente, obrigada por analisar o texto mesmo não se encaixando perfeitamente nas regras. E, sim, eu sei que exagero, às vezes, é inconsciente. Vou prestar mais atenção e procurar melhorar. Obrigada pelas dicas, foram muito válidas!
Primeiro, li o texto e formulei minha própria “análise” dele, para então ler a sua. Fiquei feliz por perceber que ambas “harmonizam”. Também acho difícil comentar textos poéticos, principalmente se são os meus.
Enfim, estou só divagando. Gosto muito dessas análises dos textos. Parabéns pela iniciativa e pela coragem!
Geovana, você se parece comigo escrevendo… adoro escrever ~davaneios~. Adorei seu texto e a análise do Gustavo (que também me ajudou muito).
também tive a mesma impressão!
Parabéns pela dissecação e pela coragem, menino!
Você além de ter talento, é altruísta!
Cara, você fez uma observação muito boa lá do 3o parágrafo! Tá demais!