Dissecando no image

Publicado em 2 de fevereiro de 2012 | por Gustavo Magnani

Comentários

Dissecando 2 – Devanil Júnior

Para continuar lendo o conto, acesse:http://devanil.com/?p=1535

 

Vamos lá.

Primeiro de tudo;

Nota-se uma escrita obcessivamente necessitada de se expressar de maneiras fortes e longas nas quais levará o leitor tanto ao cansaço quanto ao desprendimento, já que ele nem lembrará mais o que ou quem eu estou adjetivando nessa frase.

Há uma necessidade em dar ação, sentimentos, causas etc, a tudo o que há no texto. Desde os “pingos remanescentes que limpariam etcetc” as lágrimas da progenitora. Tem muita caracterização. Tudo tem uma ação e perdoe-me, mas a maioria delas são inúteis.

Sim, inúteis.

Forte?

Mas são. Quer ver?

O primeiro parágrafo. Ele praticamente não agrega em nada a história. É dito sobre “ódios” (bem claro ainda, porque a palavra ódio foi escrita QUATRO vezes).

Ainda no primeiro parágrafo; “atmosféricos”. Busquei o significado no dicionário e o significado continuou vago. Não entendi qual foi o objetivo.

A linguagem é de certa maneira rebuscada etc – o que eu achei que era proposital por causa da época e tudo mais -. No entanto, logo de cara lemos a palavra “neurotransmissores”. E juro, eu comecei a pensar que o conto se trataria de ficção científica. Mas não. E isso me frustrou. [não por não ser FC, mas por parecer uma coisa e não ser].

Foquemos no trecho que resume um dos maiores problemas: “dois milhões de seres perambulando pelascalçadas imundas negligenciadas pela monarquia”.

? A calçada é imunda é negligenciada, é “perambulada” tudo de uma vez, sem ao menos eu me acostumar com uma das ideias. É muita coisa pra uma calçada só. Tadinha dela.

Já farei um link desse “perambulando” com o “perambulava” no segundo parágrafo. Primeira coisa. Repetição fraca. Há milhares de sinônimos para a palavra“andar”. Outra, geralmente o simples é melhor. Perambulando significa passear/vaguear. Mas há um problema ai. Pra mim, quando se fala em passear, há um suposto destino – mesmo que a pessoa passeie por passear, ela sabe o que quer. Mesmo que seja só esfriar a cabeça. Já vaguear, me leva a “andar sem caminho”, “andar sem motivo, sem razão”. Simplesmente vagueia porque não tem mais o que fazer. E ai você me deixa na dúvida. Porque em uma situação completamente dramática “as calçadas negligenciadas etcetc” eu posso pensar que eles estavam passeando. E isso é o oposto do que você quer me dar. Passear me lembra calmaria. E ai sim, no segundo parágrafo tudo bem. Mas no primeiro me deu uma sensação estranha.

Outro erro muito comum no texto; vá ao segundo parágrafo e conte nas cinco primeiras linhas quantos “que” tem. Seis. Seis palavras repetidas em cinco linhas. E por quê? Porque tudo tem que ter uma ação, uma explicação etc. Mesma coisa no quinto parágrafo que tem TRÊS “resolveu” em duas linhas.

Tentando não me alongar mais, concluirei;

Para mim ficou claro qual o problema do escritor. Explicar demais. Tudo tem que ter um motivo etcetcetc – o que já cansei de falar no texto. Se esse male for cortado, o texto poderá melhorar infinitamente. E aqui está uma coisa ao escritor; você tem uma boa história. Mas a maneira com que resolveu conta-la deve ser revista.  Outra coisa, não termine seu conto da maneira como terminou. Você dá ações a coisas inúteis, mas no final tira ações e explicações de coisas importantes e tudo acontece muito rápido, como se você estivesse com pressa de concluir.

obs1: Eu tenho mais outras marcações, digamos; focando em frases mal construídas etc. Se você quiser, Devanil, mande-me um e-mail e eu lhe envio. Tive que me focar no “global” para o texto não ficar gigantesco.

obs2: curiosidade vale ser ressaltada; antes de publicar e sem revelar nada sobre o dissecando, o próprio autor afirmou que se fosse para eu cortar algo, deveria cortar o primeiro parágrafo. Isso é um bom sinal. Sinal de que ele mesmo percebeu.

Obs3: Volto a reforçar; você tem uma boa história.


Sobre o autor

idealizador e admnistrador do site, da Revista e da página Literatortura; blogueiro por escolha própria e escritor por escolha própria também - já que sempre questionou o conceito de destino. No momento, comprando tempo para revisar o primeiro livro e tentando solidificar este incrível projeto literário/cultural que é o Literatortura. Me siga no facebook: https://www.facebook.com/ghmagnani



Comentários

  1. Ane disse:

    Se eu tivesse coragem, pediria para vc avaliar algumas ” das coisas” que escrevo.
    Adoro seu blog! Parabéns.

    1. Ele avalia anonimamente tbm! =D

  2. Renata disse:

    digam o que quiserem mas vc tem que ter muita coragem pra analisar os textos e dar a cara pra bater.
    Parabénss!!

  3. Devanil disse:

    Valeu Gustavo o/ Irei usar de suas dicas para melhorar meu texto.

    Vou explicar algumas coisas agora.

    O primeiro parágrafo, como te disse por email, é realmente desnecessário. Quando escrevi ele pretendia dar um ar de como era o ambiente da história para envolver mais o leitor. Se ler os outros contos, verás que gosto muito ciência, por isso escrevi “neurotransmissores”, pois nossos sentimentos são enviados e recebidos por eles, e não pelo coração, hehe.

    Atmosférico era pra dizer que eles eram gigantes, mas adjetivei de maneira muito errada, verdade.

    Quanto ao resto, agregarei ao meu conhecimento, obrigado :)

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