A Época do bom senso já passou.

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Época pisou na bola. Ela estourou. E o brasileiro? Ficou bem irritado.

Não é ser pseudo-intelectual, pseudo-crítico, pseudo-qualquercoisa.  É um tanto vergonhoso ver uma das maiores revistas nacionais com uma capa dessas. Grandes pensadores sentem imensa dificuldade em definir o que é ou o que traduz a cultura popular. Como, então, uma música com meia dúzia de refrões sobre uma balada o faria? Portanto, tentarei expor meus argumentos. Não faria vocês perderem tempo lendo um xingamento qualquer.

“traduz o valor da cultura popular para todas as classes” disse Época.

Aqui vai a música:

Nossa, nossa
Assim você me mata
Ai se eu te pego, ai ai se eu te pego

Delícia, delícia
Assim você me mata
Ai se eu te pego, ai ai se eu te pego

Sábado na balada
A galera começou a dançar
E passou a menina mais linda
Tomei coragem e comecei a falar

(O resto é repetição.)

1)    Vocês podem ver. É nítido. Não vejo representação de cultura popular nenhuma. Fala-se de uma balada, de um cara idiota que repete “assim você me mata”. Típica cantada canastrona, mas sem graça, porque não está dentro de um filme pastelão. Ainda não vemos tradução de cultura popular para nenhuma classe.

2)    A cultura popular brasileira é riquíssima. Os grandes mestres detém dificuldade em sintetizá-la em apenas uma música, em um livro, em uma poesia [como já disse]. Eu possuo certa dificuldade em compreender como Michel Teló, em tão simples versos, conseguiria tal façanha. Lembrando que alguns desses versos são apenas palavras repetidas.

3)    As rimas, ritmo, composição etc, não explicitam nenhuma complexidade musical que abordaria sequer a metade de cultura popular brasileira para todas as classes.

4)    Supor que essa música traduza todos os valores da cultura nacional é ridicularizar o país em que vivemos. Temos defeitos? MUITOS. E isso é óbvio em qualquer lugar. Mas não podemos negar que o Brasil detém uma cultura vasta, imensa, gigantesca. Mal explorada. Concordo. Mal estudada. Concordo. Mal repassada. Concordo. Mal apoiada. Concordo. Mas dizer que uma canção que trata de uma “balada” (palavra que eu acho ridículo e (de novo) canastrona), traduz os valores da cultura popular, é um tanto quanto prepotente.

5)    A incoerência. Quem lê Época sabe que há matérias culturais excelentes. Leio, semanalmente, essa parte da revista. Por isso, acho estranho eles terem escolhido Michel Teló para ser capa da revista e ainda pior; “traduzir os valores…”(enfim, vocês já sabem).

6) Como visualizar a cultura popular brasileira em todos os seus aspectos, desde o samba ao futebol, se estamos em uma balada preocupados apenas em pegar a menina mais linda?

Sinceramente, não sei o que passou na cabeça de vocês editores.

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Lembretes à Época1: Não, Michel Teló não vai me pegar.

Lembretes à Época2: Os bons jornalistas devem estar  se questionando a decisão editorial da sua própria revista.

Lembretes à Época3: Não tentem se justificar. Do jeito que foi exposto, não há justificativa. Há erro. A única coisa seria pedir desculpas ao Brasil. Mas eu sei que isso não acontecerá.

Lembretes à Época4: Não é desculpa para qualquer erro ou incoerência, mas o texto foi escrito de “supetão” [pra ser mais exato, 15 minutos] pois tenho um compromisso inadiável :]

Lembretes à todos: Jamais disse que Michel Teló não faz parte da cultura popular brasileira. A discussão não é essa. É outra!

“Parte 2 (ou, “resposta”): http://wp.me/p1JJn9-8v

.a literatura eterniza.

2leep.com

SOBRE O AUTOR

idealizador e administrador do site, do canal e da página Literatortura; seu primeiro livro: "ovelha - memórias de um pastor gay" será publicado em agosto de 2015, pela Geração Editorial.